A cerimônia de tombamento do prédio antigo da Câmara Municipal de Vitória da Conquista foi realizada na noite de terça-feira (18), com a presença de representantes da Prefeitura, da sociedade civil e do Conselho de Cultura. O evento também marcou a reabertura do Memorial Maneca Santos, com uma exposição do artista plástico conquistense Silvio Jessé.
O Governo Municipal foi representado pelo secretário de Educação, Edgard Larry, que compôs o dispositivo de honra da cerimônia ao lado do presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, dos vereadores Fernando Jacaré e Luís Carlos Dudé, além do diretor de Comunicação da Câmara, Fábio Sena, e do artista Silvio Jessé.
Secretário de Educação, Edgard Larry iniciou seu pronunciamento declamando um poema de Vicente Cassimiro, e exaltou a importância de preservar a memória de Vitória da Conquista para a construção de um futuro que honre a história do Município. “É um momento importantíssimo para o município, que possui uma história riquíssima. Precisamos preservar essa memória através de diversas ações, dentre elas, o tombamento dos seus prédios históricos. É preservando a memória que nós temos condições de transmitir às novas gerações todo um valor histórico que a nossa cidade tem e prepará-la para um futuro que vai crescer cada vez mais com base em pilares históricos”.
Presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro destacou que o cuidado e respeito com a história de uma cidade faz parte do caminho para o desenvolvimento. “Conquista tem vocação para ser grande. De fato, nós temos trabalhado por essa Conquista grande, pela Conquista do futuro, dos 200 anos. Mas não haverá essa cidade se a gente não preservar a nossa história. Estamos falando aqui de um prédio centenário, que há mais de 50 anos abriga a Câmara Municipal. O desenvolvimento de Conquista passa pelo debate que acontece aqui, pela aprovação de projetos, então a gente precisa preservar essa história, essa memória”.
Já o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Washington Rodrigues, expressou satisfação com a celebração do tombamento, que foi aprovado pelo Conselho após uma serie de reuniões do órgão, além de estudos do Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município. “É uma alegria imensa participar desse momento. Mais do que a preservação, temos a garantia de que esse prédio nunca mais será modificado, porque é o que diz a lei de tombamento. Isso é fundamental, porque há o processo de especulação imobiliária, de deterioração desses imóveis, mas com o tombamento nós garantimos que as futuras gerações possam conhecer essa história”.
Silvio
Após o descerramento da placa do tombamento, os participantes se dirigiram ao recém-reinaugurado Memorial Maneca Santos da Câmara Municipal, que recebeu a exposição “Histórias, memórias, lugares”, do renomado artista plástico conquistense Silvio Jessé. Foram expostas 52 obras feitas com bico-de-pena, retratando a história e a arquitetura de Vitória da Conquista. “O convite foi uma honra, e me sinto emocionado. Sempre tive vontade de trabalhar com uma técnica diferente, a bico de pedra. Pintar Conquista, pra mim, é um presente que dou para cidade que amo tanto. Nasci aqui e as memórias daqui são, para mim, importantíssimas. A memória tem que estar sempre viva e forte na cabeça da gente, é um processo de empoderamento, humanização”.
História
Construído em 1910 pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, o popular Luiz Pedreiro, o imóvel foi originalmente residência do Coronel Manoel Fernandes dos Santos Silva (Maneca Santos), figura importante da economia local. Posteriormente, abrigou o Hotel Central, o Fórum Municipal e a Justiça do Trabalho, antes de sediar, na década de 1960, a Câmara de Vereadores. Hoje, transformado em Memorial Manoel Fernandes, o prédio representa a trajetória institucional e política de Vitória da Conquista. O edifício hoje abriga o Memorial Manoel Fernandes de Oliveira e alguns setores legislativos, como a presidência.
Sobrado de Maneca Santos/Memorial Câmara – Década de 1940
Biografia de Luiz Alexandrino de Melo
Nascido em Salvador, Luiz Alexandrino de Melo, popularmente conhecido como Luiz Pedreiro, chegou em Vitória da Conquista ainda jovem. Sua técnica e maestria ajudaram a consolidar os traços do ecletismo arquitetônico que marcam o centro histórico da cidade. Considerado o melhor construtor do seu tempo, pela solidez de seu trabalho de arquitetura, construiu grande número de prédios históricos da cidade, como o prédio do Quartel (onde hoje funciona a Prefeitura); o sobrado do Cel. Paulino Fernandes (onde está hoje o Banco do Brasil), em 1906; o sobrado de Maneca Santos, onde funciona a Câmara de Vereadores, em 1912; o palacete residência do Cel. Pompílio Nunes e dezenas de casas residenciais de belas fachadas na cidade. Luiz Pedreiro faleceu em 1926, no município de Encruzilhada.