O Centro de Excelência Joana de Freitas Barbosa, localizado na região do Baixo São Francisco, no município de Propriá, deu início, na última semana, a uma programação voltada ao enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa reúne uma série de atividades educativas, como rodas de conversa, dinâmicas em sala de aula e ações interdisciplinares, com o objetivo de conscientizar os estudantes sobre a importância do respeito, da igualdade de gênero e do combate às diferentes formas de violência.
Em sala de aula, a temática foi trabalhada por meio de atividades reflexivas e dinâmicas simbólicas. Em um dos momentos, os estudantes participaram de um exercício em que seguravam papéis com frases machistas ainda presentes no cotidiano de muitas mulheres. Após a leitura e a discussão sobre o impacto dessas expressões, que reforçam desigualdades e naturalizam diferentes formas de violência, os estudantes rasgaram os papéis, em um gesto que representou o rompimento com ideias e comportamentos prejudiciais.
Além da atividade, foram promovidas rodas de conversa e a exibição de conteúdos audiovisuais para aprofundar o debate. Durante os encontros, os alunos foram orientados sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, incluindo a violência psicológica e simbólica, muitas vezes presentes em práticas como o bullying, o assédio e a reprodução de falas machistas. Também foram discutidas as diferenças entre machismo e feminismo, com o objetivo de ampliar a compreensão dos jovens sobre o tema.
Como complemento, vídeos de reportagens e um material produzido em sala, que analisava o machismo em músicas populares, foram utilizados para estimular o pensamento crítico e o diálogo entre os estudantes. A programação contou, ainda, com a participação de um professor de jiu-jitsu, que ministrou uma aula prática voltada às meninas, ensinando técnicas básicas de defesa pessoal e incentivando a prática da modalidade como forma de fortalecimento, autonomia e segurança.
“A importância de trazer essa pauta para a sala de aula é mostrar aos jovens o que são os atos e falas machistas que incentivam a violência de gênero. Muitas vezes, eles não reconhecem essas atitudes, porque convivem com isso no dia a dia e acabam normalizando por conta do machismo estrutural. Buscamos desconstruir essas falas e comportamentos, principalmente entre os meninos, mas também com as meninas, já que mulheres também podem reproduzir atitudes machistas aprendidas ao longo da vida”, destaca a professora de Projeto de Vida da unidade, Vera Mara Santana Villar, uma das idealizadoras da ação.
Para o diretor da escola, Glauber Martins Santos, o trabalho desenvolvido funciona como uma importante ferramenta de prevenção no ambiente escolar. “As apresentações realizadas já combinam com o nosso trabalho, que é diário, e enfatiza nesse momento a forma como a estudante vai poder se proteger em possíveis casos de abuso. A gestão escolar destaca essas atividades para mostrar que comportamento abusivo não é adequado, e que a gente não tolera esse tipo de coisa. Então, é importante que a escola tenha esse momento para que todos falem a mesma língua, sobre o que não deve acontecer, principalmente dentro da escola, que é um espaço de construção”, afirma o gestor.