O Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), realiza entre os dias 20 e 22 de março o SE Mapping, iniciativa que transforma o centro histórico da capital em um grande palco de experimentação artística. Integrando a programação do Verão Sergipe, o festival acontece na Praça Fausto Cardoso, reunindo projeções mapeadas, apresentações musicais, atividades formativas e intervenções visuais.
Um dos principais eixos do evento é a Mostra Visual, que apresenta 18 obras inéditas de videomapping, construindo um panorama contemporâneo da produção artística digital no Brasil. As projeções ocupam fachadas históricas da cidade e exploram narrativas que atravessam memória, território e identidade, com referências que vão de matrizes culturais brasileiras a personagens e histórias locais.
Além da forte presença de artistas sergipanos, a mostra também destaca a participação de criadoras de diferentes regiões do país, ampliando o diálogo entre linguagens e contextos culturais. Entre esses nomes estão as artistas Letícia Pantoja (RJ) e Kelly Pires (SP), que trazem ao festival obras e experiências que dialogam com o território sergipano e com o campo expandido do videomapping.
Letícia Pantoja
Artista visual multimídia e VJ Letícia Pantoja é reconhecida como uma das primeiras mulheres VJs do Brasil, com quase duas décadas de atuação em uma área majoritariamente masculina. Sua trajetória acompanha o próprio desenvolvimento da cena de videomapping no país, tendo participado de diversos festivais nacionais e contribuído para a consolidação dessa linguagem.
No SE Mapping, a artista apresenta a obra ‘Cores de SE’, construída a partir de uma pesquisa aprofundada sobre a cultura sergipana, com destaque para o artesanato, as rendas e os modos de vida de comunidades ribeirinhas. A proposta é traduzir visualmente essas referências em uma narrativa sensível e imersiva.
Além da obra na Mostra Visual, Letícia também assina a criação visual de um espetáculo em parceria com a Orquestra Sinfônica de Sergipe, em que as projeções dialogam com um repertório musical que percorre a formação histórica e cultural do estado. A narrativa visual atravessa temas como a chegada dos europeus, os povos originários, a fundação de cidades como São Cristóvão, além de elementos marcantes da identidade sergipana, como o forró, o cordel e o Rio São Francisco.
“Na minha obra eu já tinha abordado, obviamente, o forró, mas agora eu trago o cordel junto com esse momento, esse lema de que Sergipe é o país do forró. É uma obra que vai ficar muito bonita, muito colorida, muito festiva e a minha intenção como artista é tocar o coração do público, é emocionar e fazer as pessoas se reconhecerem e terem esse orgulho imenso de serem sergipanos”, destaca a artista.
Natural do Rio de Janeiro e formada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense, Letícia desenvolve um trabalho marcado pela pesquisa e pela construção de narrativas visuais que dialogam com história, ancestralidade e cultura. Sua prática transita entre o analógico e o digital, unindo técnicas como colagem, pintura e ilustração com ferramentas tecnológicas que ampliam as possibilidades expressivas da imagem.
Kelly Pires
A artista visual Kelly Pires, nascida na periferia de São Paulo, construiu sua trajetória a partir do audiovisual, expandindo sua atuação para o campo das artes visuais contemporâneas. Seu trabalho investiga a relação entre imagem, espaço e narrativa, combinando técnicas como vídeo, animação, colagem digital e projeção mapeada.
No SE Mapping, Kelly apresenta uma obra inspirada no poema Cântico aos Laranjeirenses, do poeta João Sapateiro, estabelecendo um diálogo sensível com a cidade de Laranjeiras. A artista também leva ao festival a instalação interativa Acaso Surreal, que propõe uma experiência lúdica e sensorial, especialmente voltada ao público infantil. “A instalação nasce como um pequeno protesto silencioso sobre o direito de não precisar explicar ou fazer sentido”, afirma. “As crianças se conectam muito com isso, porque ainda têm essa liberdade de imaginar”.
Sua pesquisa para o festival também passou pela cultura nordestina, especialmente pela estética do cordel e da xilogravura, referências que influenciam diretamente a construção visual de suas obras.
Além de integrar a Mostra Visual, Kelly ministra a oficina ‘Práticas de videomapping - narrativas do cotidiano’, reforçando o papel formativo do evento. A proposta é apresentar o videomapping não apenas como técnica, mas como ferramenta de criação narrativa a partir das experiências do dia a dia.
Arte, tecnologia e novas narrativas visuais
A presença de artistas como Letícia Pantoja e Kelly Pires evidencia como o SE Mapping se consolida como um espaço de convergência entre arte e tecnologia, ampliando as possibilidades de criação e fruição artística. No videomapping, superfícies arquitetônicas deixam de ser apenas estruturas físicas e passam a funcionar como suportes narrativos, capazes de contar histórias, provocar emoções e ressignificar o espaço urbano.
“O Festival de videomapping é uma grande explosão de tecnologia, de novidade, de frescor, de arte misturada, para envolver o público. O SE Mapping será um evento totalmente imersivo, porque cada lado que você olhar terá arte acontecendo, vai ter inovação”, afirma Letícia Pantoja.
Ao mesmo tempo, o festival também aponta para desafios contemporâneos desse campo, como a necessidade de manter uma linguagem autoral em meio ao avanço de novas tecnologias e da produção automatizada de imagens. Nesse contexto, a pesquisa artística, a experimentação e o olhar sensível sobre o cotidiano tornam-se elementos centrais.
“Acho que um dos grandes assuntos do momento é a inteligência artificial. Para quem trabalha com artes visuais e com tecnologia digital, existe esse desafio de não cair nesse lugar onde tudo começa a parecer muito parecido. Ao mesmo tempo, essas tecnologias também abrem muitas possibilidades. No caso da projeção mapeada, por exemplo, dá para transformar arquiteturas, objetos e diferentes superfícies em espaços narrativos. Para mim, o mais interessante é quando a tecnologia funciona como uma ferramenta, algo que ajuda a contar uma história ou provocar uma sensação”, comenta Kelly Pires.
Sobre o SE Mapping
O SE Mapping é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), e integra o calendário do Verão Sergipe.
O evento conta com a participação da Secretaria de Estado da Comunicação Social (Secom), da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), da Secretaria Especial da Cultura (Secult), da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem) e da Secretaria de Estado do Turismo (Setur).
O festival é idealizado e produzido pela Baluart Produtora e pela Agência Ilimitado, conta com o patrocínio da Iguá Sergipe, apoio da Energisa e parceria com o SSA Mapping.