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4º Encontro dos Povos de Axé discute direito à liberdade de curto na infância e combate ao racismo religioso
Com o objetivo central de debater o direito de crianças e adolescentes à liberdade de culto e crença no contexto das religiões afro-brasileiras, fo...
22/03/2026 16h31
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Com o objetivo central de debater o direito de crianças e adolescentes à liberdade de culto e crença no contexto das religiões afro-brasileiras, foi realizado o 4º Encontro dos Povos de Axé. O evento, promovido pela Rede Caminho dos Búzios, com apoio da Prefeitura de Vitória da Conquista, ocupou o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima para celebrar o Dia Nacional das Tradições de Raízes Africanas e enfrentar os desafios da intolerância religiosa que atinge as novas gerações.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
A abertura contou com a presença do secretário de Desenvolvimento Social, Michael Farias, que reiterou a importância do evento como ferramenta política. “Assumimos um compromisso com as religiões de matrizes africanas, focando na necessidade de edificar uma sociedade livre de preconceitos. Vitória da Conquista não pode se eximir do enfrentamento ao racismo religioso”, afirmou o secretário, destacando que a ação faz parte de um dos resultados sistêmicos do Selo Unicef.

Mãe Luanda d’Oxum, integrante da Rede Caminho dos Búzios, destacou que o evento é um marco na luta pelo respeito. “É muito importante que nossas crianças cresçam dentro da nossa religião com dignidade. Precisamos que a sociedade entenda que o povo de Axé é ser humano e merece respeito. A parceria com a Prefeitura facilita a expansão dessa ajuda para toda a cidade”, afirmou a dirigente.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Composição da frente de honra

A presidente do Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Comppir), Mariana Aquino, celebrou a resistência do movimento: “Nosso papel é promover mais igualdade. Sabemos que não é fácil estar aqui, mas estamos fazendo nosso próprio caminho”.

A consultora em proteção de crianças e adolescentes, Polímnia Cassimiro, palestrou sobre como o racismo religioso repercute violentamente na vida escolar e social dos jovens. “Reconhecer a liberdade religiosa de crianças e adolescentes é uma caminhada de proteção. Estamos aqui para simplificar o direito e ouvir a perspectiva dos povos de Axé sobre as violações que ocorrem em seus ambientes”, explicou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Michael Farias
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Mãe Luanda dOxum
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Mariana Aquino

Complementando a visão prática desse acolhimento, Pai Jorge de Logun-Edé, do Terreiro Lojereci, compartilhou sua experiência como guardião: “O terreiro já desempenha um papel social. Acolho crianças em situação de vulnerabilidade, oferecendo cuidado, educação e ensinamentos sobre nossa cultura, música e canto. Elas são como meus filhos”.

Letícia Figueiredo, representante da Juventude Negra, pontuou que o debate é essencial em uma cidade conservadora. “Nossas crianças sofrem racismo religioso em espaços institucionais como a escola. Discutir como viver sem essa violência é necessário para que as pessoas entendam seus espaços na sociedade”, ressaltou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Polímnia Cassimiro
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Pai Jorge de Logun-Edé
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Letícia

Além das mesas de debate, o encontro contou com os painéis temáticos: Reflexões sobre a trajetória da Umbanda em Vitória da Conquista e a importância do acolhimento. A abertura do evento foi marcada por apresentações de samba de roda que reforçaram o sentimento de comunidade e pertencimento.

A ação foi organizada pela Coordenação da Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes). Também participaram do evento a Comissão Municipal do Selo Unicef e o Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca).