Nesta quinta-feira, 23, a rede municipal de educação ganhou mais um espaço de inclusão, acolhimento e promoção do desenvolvimento infantil: asala de recursos multifuncionais da Escola Municipal Sacramenta, destinada a atenderalunos com deficiência e neurodivergências. O local deverá atender ainda estudantes de outras duas escolas da comunidade, alcançando cerca de 42 crianças no contraturno das aulas.
A inauguração foi celebrada por toda a comunidade escolar. A diretora da unidade, Julianna Paixão, destaca que se trata de uma grande conquista com a qual será possível atender de forma mais adequada as crianças.
“A sala proporciona um ambiente muito rico de incentivo para aprendizagens. Temos quebra-cabeça, massa de modelar, livros, espaços sensoriais. E além desse estímulo motor e cognitivo, as crianças também vão contar com um espaço lúdico, que certamente vai colaborar muito para o seu desenvolvimento global”, afirma a diretora.
Mithally Oliveira é mãe do Gustavo Joaquim, de 3 anos, aluno do Maternal II. Ele começou a estudar este ano e foi a primeira criança com paralisia cerebral acolhida pela Escola Municipal Sacramenta. Sua mãe lembra que anteriormente passou por várias escolas que dificultavam a matrícula do Gustavo, por não terem estrutura adequada. “Eu me senti acolhida desde o primeiro momento aqui na escola”, afirmou.
Mithally conta que assim que seu filho foi matriculado, imediatamente a direção foi atrás de um acompanhante especializado e a equipe de nutrição conversou com ela sobre a alimentação da cirança. Hoje ela comemora a conquista da escola.
“Estou muito feliz. Nós, que somos mães atípicas, sabemos que temos uma luta contra o tempo. Então o pedagógico tem que ser estimulado nos nossos filhos, não é só o físico. A gente precisa do estímulo cognitivo, precisa dessa extensão pedagógica para eles”, comenta.
Vanessa Carvalho, mãe de aluna também com paralisia cerebral, conta que a escola buscou se adaptar às necessidades da sua filha. E no pouco tempo em que a pequena Victoria Carvalho, 4 anos, está na escola, ela já observa avanços no desenvolvimento da filha.
“A gente já consegue ver a melhora nela, em todos os sentidos.A escola está se adaptando a eles, literalmente. A nova sala foi uma grande conquista, não só para a escola, mas para a gente que tá nessa luta da inclusão. A gente está se sentindo mais segura”, afirma Vanessa.
Além do acompanhante especializado, que dá assistência aos estudantes com deficiência e/ou neurodivergência dentro de sala de aula, cada aluno recebe atendimento especializado durante uma hora por semana, sempre no contraturno das aulas. E esse atendimento é realizado por profissional específico, na sala de recursos multifuncionais, com instrumentos e abordagens pedagógicas próprias.
“A sala multifuncional atende as crianças para trabalhar as suas habilidades, para que elas possam se desenvolver, começar a ter autonomia e independência. E cada caso nós avaliamos e trabalhamos individualmente”, afirma a professora Rossi Lima, responsável pelo atendimento na sala de recursos multifuncionais da unidade.
A sala vai atender 18 alunos da Escola Municipal Sacramenta, 11 crianças da Escola Municipal Anete Monteiro e 13 da Escola Municipal Suzete Peres Maxwell, todas localizadas no bairro da Sacramenta.
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A nova sala de recursos multifuncionais da Escola Sacramenta é a centésima da rede municipal de educação. Somente este já foram inauguradas 10 novas salas e a meta é ampliar essa quantidade.
A coordenadora do Centro de Referência em Inclusão Educacional (Crie) da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Nilma Machado, explica queestá em fase de levantamento um projeto de ampliação do número de salas e de profissionais especializados para as escolas.
“A abertura desses espaços é fundamental para assegurar a garantia de direitos às crianças, garantir a inclusão. Isso promove um melhor desenvolvimento escolar e social. É ganho para a escola, para o professor regente, para as famílias e para as crianças”, afirma Nilma.
O secretário municipal de Educação, Jorge Vaz, destacou, na inauguração, que é necessário ter um olhar prioritário para a pauta da educação inclusiva.
“Não se trata só da inauguração de uma sala, representa muito mais do que isso. Representa também essa frente de trabalho muito importante que, infelizmente, muitas vezes acaba sendo menosprezada. A gente precisa avançar e fazer com que outras escolas também tenham um espaço tão importante como esse, que nós tenhamos profissionais suficientes para atender com todo o carinho e atenção que as nossas crianças merecem”, afirmou Vaz.