Cidades Feira de Santana-BA
NOIDE CERQUEIRA: UM FEIRENSE QUE QUERIA VER SUA TERRA EM DESTAQUE
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
14/05/2026 08h42
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA

Feira de Santana era seu mundo e assim queria vê-la sempre em destaque nos diferentes campos: economia, política, esporte, cultura, sociedade. Marcado pela simplicidade, podia ser visto entre populares e, a muitos, de forma amigável, saudava de ‘gigante’ ou ‘gigantinho’. Noide Cerqueira ocupou cargos públicos importantes, teve êxito nos seus empreendimentos e faleceu tragicamente, ainda jovem, mas deixou consolidados a sua honestidade e o amor pela Terra de Senhora Santana.

Empresário, advogado, político, desportista e incentivador de atividades culturais, de uma maneira ampla e própria, sem barreiras, ele viveu sua terra, contribuindo muito para vê-la em constante desenvolvimento. Filho de Modesto Cerqueira e Durvalina Ferreira de Cerqueira, desde muito cedo Noide Ferreira de Cerqueira demonstrou sua aptidão pelo estudo e o trabalho, ao tempo em que o esporte, em especial o futebol, e o filatelismo, durante o próspero período da adolescência, foram significativos entretenimentos.

Sério nas atividades escolares, não teve dificuldade para concluir os cursos primário e ginasial na Escola João Florêncio (atual Arquivo Público Municipal) e Escola Normal de Feira de Santana. Muito jovem, aos 23 anos, em 1963, formou-se em advogado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em companhia dos advogados Renato Ribeiro de Sá Bitencourt Câmara e Expedito Nascimento, abriu escritório de advocacia no Edifício Pires, que ficava na Rua Conselheiro Franco (Rua Direita). O prédio desapareceu com o alargamento da Rua Dr. Olímpio Vital.

Posteriormente, instalou o escritório na Rua Carlos Gomes, confluência com a Rua Visconde do Rio Branco, frontal com o extinto Feira Tênis Clube (FTC) e o Bar e Restaurante RN (hoje uma farmácia). Depois, no local do escritório, foi inaugurado o Teatro Margarida Ribeiro. Na política partidária pelo MDB, colocou sua energia e popularidade em teste com sucesso, sendo eleito vereador em 1966, repetindo o êxito nas urnas em 1970 e 1972. Candidato a deputado federal em 1974 e já próximo do pleito — cerca de 30 dias antes —, com a declaração de inelegibilidade do deputado feirense Francisco Pinto, ocupou a vaga por ele deixada. Na eleição para a Câmara Federal, aos 34 anos de idade, foi eleito com expressiva votação e apoio do eleitorado feirense. Assim como Francisco Pinto, Noide Cerqueira teve postura inquebrantável contra a ditadura.

Na esfera política, além de vereador, deputado estadual e federal, foi suplente do senador Luiz Viana Filho. Na administração pública local, esteve presente com o seu habitual dinamismo como diretor da Surfeira, antiga autarquia municipal, foi chefe de Gabinete do prefeito José Falcão da Silva, secretário municipal de Serviços Urbanos e coordenou o Escritório de Planejamento Integrado (EPI). Homem de sociedade, foi diretor do Feira Tênis Clube (FTC) e presidente do Clube de Campo Cajueiro (CCC), mas sempre esteve entre o povo. Tinha forte popularidade e gostava de saudar conhecidos como ‘diga aí, gigante’ ou ‘diga aí, gigantinho’. Era uma forma carinhosa de tratar as pessoas.

Devido à militância política e amizade com a diretoria da Associação Desportiva Bahia de Feira (ADBF), considerada na época um clube ligado ao MDB, foi um dos seus mais abnegados dirigentes. Todavia, provando seu amor — acima de tudo — pela Cidade Princesa, era torcedor do Fluminense de Feira e membro do Conselho Deliberativo do clube, a exemplo do que fora no Bahia. Na década de 1980, quando o Flamengo local vivia grande fase, levando enorme público ao Estádio Joia da Princesa na decisão do campeonato municipal contra o Mecânico, desportistas sugeriram e Noide Cerqueira chegou a cogitar a profissionalização do Flamengo.

Noide Cerqueira foi casado com a senhora Aurea Maria Vieira de Cerqueira, que lhe presenteou com quatro filhos: Sunny Maria, Noide Cerqueira Junior, Alice Maria Vieira Cerqueira e Pedro Falcão Neto. Em 1994, vivia a campanha para a Assembleia Legislativa, prognosticada vitoriosa, mas teve que interrompê-la para tratamento de saúde. No dia 19 de janeiro de 1995, aos 54 anos de idade, Noide Ferreira de Cerqueira deixava a vida material em trágico acidente com o seu automóvel, na BR-324 (Feira/Salvador).

Por Zadir Marques Porto