Um dos serviços ofertados pela Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade de alto risco da Secretaria de Estado da Saúde (SES), é a Triagem Neonatal Biológica, popularmente conhecida como Teste do Pezinho. O exame consiste em um conjunto de testes preventivos capazes de identificar precocemente doenças graves nos primeiros dias de vida do recém-nascido, possibilitando o início rápido do tratamento e reduzindo o risco de sequelas. Na MNSL, o serviço é oferecido a todos os bebês que permanecem internados na unidade por mais de três dias.
O teste segue as orientações do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), onde realiza a detecção de sete doenças como fenilcetonúria; hipotireoidismo congênito; fibrose cística; anemia falciforme e demais hemoglobinopatias; hiperplasia adrenal congênita; deficiência de biotinidase; e toxoplasmose congênita. Em 6 de junho se comemora o Dia Nacional do Teste do Pezinho, para conscientizar sobre a importância do exame que todo o mês é celebrado como 'Junho Lilás'.
De acordo com a diretora técnica da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), a pediatra Roseane Porto, a identificação precoce dessas doenças por meio do Teste do Pezinho possibilita intervenções rápidas e eficazes, reduzindo ou até mesmo evitando as sequelas causadas por determinadas enfermidades. “O teste deve ser coletado entre o terceiro e quinto dia de vida na Unidade Básica de Saúde mais próxima ou quando a criança ainda estiver internada. Em algumas situações, existem as coletas especiais, que são, principalmente, para os bebezinhos prematuros, os que nasceram com baixo peso e também para os bebês que nasceram criticamente doentes. Nas coletas especiais, além da primeira amostra (entre o 3º e 5º dia de vida), é coletada uma segunda amostra 14 dias após a primeira para termos um rastreio mais fidedigno”, destacou.
Importância do teste
A triagem neonatal biológica é realizada por meio de exames de sangue colhido no papel-filtro (sangue seco), obtido por punção no calcanhar do recém-nascido, e, quando realizado na MNSL, é encaminhada ao Hospital Universitário. “Como o nome diz, o exame é realizado por coleta capilar, no pezinho do bebê. Quando é preciso colher sangue para outros exames, fazemos somente uma punção venosa, para não furar duas vezes o bebê e colhemos a quantidade de sangue necessária para o teste do pezinho e para os outros exames”, explicou a referência técnica do Laboratório da MNSL, Daniela Rodrigues.
Em 2025, a unidade realizou 4.916 partos e cerca de 60% dos recém-nascidos passaram pelo Teste do Pezinho ainda na maternidade, o que corresponde a, aproximadamente, 2.800 exames realizados. Já entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 2.166 partos e efetuados 1.250 testes, reforçando o papel da unidade na promoção do diagnóstico precoce e na prevenção de complicações associadas às doenças identificadas pela triagem neonatal.
Para Lívia Araújo Santana, de 26 anos, moradora de São Cristóvão e mãe da pequena Eloise, a realização de todos os exames neonatais é fundamental, especialmente por ter vivido uma gestação de alto risco. Encaminhada para a MNSL, ela destaca a importância da assistência recebida na unidade. “Eu não sabia que era hipertensa. Tive minha primeira gestação e perdi o bebê com seis semanas. Nesta gravidez, descobri, durante o pré-natal, que tinha hipertensão. Minha filha nasceu de parto cesáreo e, desde que chegamos aqui, ela já realizou vários exames, como o teste da orelhinha, o teste do coraçãozinho e, agora, o teste do pezinho”, relatou.
Capacitação dos profissionais
Com o objetivo de ampliar a cobertura da Triagem Neonatal Biológica em Sergipe, a SES realizou, nesta quarta-feira, 3, uma capacitação voltada aos profissionais das maternidades responsáveis pela coleta do Teste do Pezinho. A iniciativa busca qualificar os profissionais responsáveis pela coleta do exame, considerado fundamental para o diagnóstico de sete doenças graves contempladas pela triagem neonatal.
Durante a capacitação, os profissionais receberam orientações sobre as doenças rastreadas pelo teste do pezinho, seus principais sinais e sintomas, além da importância da coleta dentro do prazo recomendado. Também foi abordada estratégias de busca ativa para localizar recém-nascidos que ainda não realizaram o exame e a técnica adequada de coleta, apontada como um dos principais desafios enfrentados pelo programa. Segundo os especialistas, falhas no procedimento podem comprometer a qualidade da amostra e interferir no resultado do exame.
A referência técnica da saúde da criança e do adolescente da Atenção Primária da SES, Larissa Primo, ressaltou que a coleta adequada do teste do pezinho exige rigor técnico para evitar amostras inválidas e garantir resultados confiáveis. “Esse processo pode atrasar a confirmação diagnóstica e, consequentemente, o início do acompanhamento e tratamento das crianças que necessitam de cuidados especializados. Com a qualificação das equipes, a SES pretende reduzir erros na coleta, agilizar o diagnóstico e fortalecer a assistência prestada aos recém-nascidos, contribuindo para melhores resultados em saúde e maior qualidade de vida para as crianças e suas famílias”, explicou.
Para a técnica de enfermagem do Hospital Regional de Propriá, Flaviane Barbosa, a capacitação é uma oportunidade de aprimorar conhecimentos e fortalecer a assistência prestada aos recém-nascidos. “O curso é fundamental porque permite compreender ainda mais a importância do diagnóstico precoce dessas doenças, que podem ser genéticas, metabólicas ou infecciosas, antes mesmo que os sintomas apareçam. O teste do pezinho é um exame realizado gratuitamente pelo SUS e possibilita identificar essas condições de forma precoce, garantindo mais eficácia no tratamento e melhor qualidade de vida para as crianças”, considerou.