Enquanto os grandes palcos costumam atrair os holofotes pelas multidões, a Vila Junina do Arraiá da Conquista se consolidou, na sua quarta noite, como o verdadeiro “quintal de casa” dos conquistenses e visitantes. No dia 23 de junho, véspera de São João, o espaço transformou-se em cenário de memórias vivas, onde a tradição não é apenas assistida, mas vivida em cada abraço, em cada passo de arrasta-pé e no sabor das comidas típicas compartilhadas em família.
O diferencial da Vila Junina está na sua capacidade de unir o aconchego familiar à identidade regional. E foram as vozes de quem fez a poeira levantar e de quem foi apenas para se divertir que ditaram o ritmo dessa noite inesquecível.
Vozes que criam e mantêm a tradição
No palco, os artistas regionais assumiram o papel de preservar a nossa identidade musical, misturando a bagagem de anos de estrada com os novos repertórios.
Para Tammy Teixeira, a noite foi marcada pela sintonia fina com a plateia e pela versatilidade. “Foi maravilhoso, a interação da galera foi perfeita. A gente trouxe um repertório muito diversificado, com um pouco de Arrocha — bem pouquinho mesmo —, mas uma mistura do meu ‘Arrochanejo’, que é do meu novo EP, e um forrozão tradicional que não pode faltar, um forró das antigas. Adorei a festa, foi ótimo pra gente, é grandioso isso”, celebrou a cantora.
Esse sentimento de acolhimento também foi destacado por Maira Porto, vocalista da banda Flor de Tangerina, que já se tornou veterana do espaço. “Já é a terceira vez que a gente se apresenta. A Vila está mais aconchegante! É como em tempo de Copa do Mundo, né? Nós brasileiros que amamos futebol… então vai ter muita alegria, muito arrasta-pé, muito xote e baião. Foi isso que Luiz Gonzaga nos ensinou, né? Resgatando sempre, trazendo a nossa cultura e a nossa tradição”, ressaltou Maira, traçando um paralelo entre a paixão nacional pelo futebol e o amor pelo forró de raiz.
Cantando em casa, Ramon Roman expressou a emoção de reencontrar rostos conhecidos e abraçar o público que viaja de longe para o Arraiá. “É um prazer enorme estar em casa, estar com o público que a gente já conhece por tocar na cidade toda, e com muita gente de fora, das redondezas. Graças a Deus a gente faz muitos shows aqui na região, então muita gente fala: ‘ah, tô em Conquista, vou ver o show’. O São João está muito legal, muito organizado, e a gente só sobe no palco com a intenção de dar o melhor, ir além. Trabalhamos com música já há 20 anos e trazemos isso com muita paixão, algo muito viril. Então é muito bom estar aqui”, declarou o músico.
A noite principal também foi de consagração e celebração da democracia cultural para o veterano Carlos Vilela, compositor de mão cheia com mais de 30 anos de carreira e canções gravadas por ícones como Flávio José e Fagner. Para ele, o edital que o selecionou foi um divisor de águas para mostrar seu lado intérprete. “Para mim é uma honra estar no dia principal, o dia 23, aqui na Vila Junina fazendo o forró tradicional para dançar, que vem de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. O edital da Prefeitura é uma coisa democrática, porque quando você não está exposto na grande mídia, tem uma certa dificuldade de acessar esses espaços. A Prefeitura, sabiamente, criou esse edital de maneira clara e objetiva. Estou feliz por ter sido contemplado. No show, a gente faz esse mix, intercala canções autorais com as músicas já consagradas desses grandes nomes”.
Olhares de quem prestigia
Se no palco a música transbordava paixão, no chão da Vila Junina o público transformava o espaço em um verdadeiro ponto de celebração comunitária. Moradores locais e visitantes de cidades vizinhas encontraram ali o ambiente perfeito para viver o São João em sua plenitude.
A psicóloga conquistense Charlene Rocha aproveitou a oportunidade para fortalecer os laços familiares e curtir a festa ao lado do marido e das filhas. “É um espaço muito legal e dá pra trazer a família. Estou com minha família aqui e achei tudo muito organizado: boa música, boa gente, boa comida. Estou muito feliz de estar aqui hoje”, relatou, evidenciando o clima seguro e hospitaleiro do evento.
A Vila Junina encanta quem vem de fora e acabou adotando Vitória da Conquista no coração. É o caso de Caíque Azevedo, natural de Quaraçu, que não poupou elogios à experiência vivida ao lado do seu companheiro. “Eu já me sinto conquistense. Esse é o melhor arraiá do Brasil! Eu amo a Vila Junina. É o lugar que eu e meu esposo mais gostamos. É o lugar que a gente mais se diverte, é perfeito”, derreteu-se Caíque.
A quarta noite da Vila Junina do Arraiá da Conquista provou que o São João mais autêntico se mede pela capacidade de fazer cada artista se sentir valorizado e cada visitante se sentir em casa. Entre o tradicional e o contemporâneo, a Vila pulsa como o verdadeiro coração cultural da festa.