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Em clima de São João, Arquivo Municipal resgata memória dos festejos juninos por meio de acervo histórico
No mês em que se comemora o São João, a Prefeitura de Vitória da Conquista relembra, por meio do Arquivo Público Municipal, a história dos antigos ...
24/06/2026 09h21
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

No mês em que se comemora o São João, a Prefeitura de Vitória da Conquista relembra, por meio do Arquivo Público Municipal, a história dos antigos festejos juninos. A memória documental está nos acervos do Arquivo, onde estão dispostas fotografias, periódicos, livros e jornais acerca da celebração. Para quem gosta de resgate à história, vale a pena conferir o patrimônio cultural conquistense.

A festa de São João, eminentemente nordestina, celebra o nascimento do precursor e primo de Jesus Cristo: o São João Batista e coincide, também, com a época das colheitas no país, principalmente a da safra do milho. Tradicionalmente, os festejos são acompanhados por músicas, danças e, principalmente, pelas comidas e bebidas típicas da região.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Apresentação de quadrilhas no Ginásio de Esportes Raul Ferraz

Segundo a edição de 1982 do periódico O Prelo, as tradicionais fogueiras eram acesas pelos camponeses, que viam, no fogo, um elemento mágico que acabaria com as pestes e as pragas das lavouras. A tradição conta que, no nascimento de São João, a sua mãe, Isabel, mandou que uma fogueira fosse acesa na parte mais alta de um monte para dar as boas-novas à sua prima, Maria.

A folclorista Hildegardes Vianna afirma, na coluna do periódico O Prelo, que o costume das fogueiras foi trazido pelos portugueses, por meio dos padres jesuítas que introduziram os festejos juninos no sertão baiano. Como os indígenas adoravam o fogo e viam, nos folguedos, motivos de grande alegria para a sua alma ingênua e simples, os padres acreditavam ser essa a melhor época para catequizá-los.

O patrimônio imaterial conquistense

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Na Joia do Sertão Baiano, a culinária do São João misturou o legado português com o dos indígenas que habitavam a região conquistense. Ao visitar o município, por volta de 1817, o Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied relatou que quando os indígenas Mongoiós faziam uma boa caça, eles dançavam e bebiam, ao longo de toda a noite, em volta do fogo e de um recipiente que continha uma espécie de licor. Claramente, esse costume durante as comemorações no arraial se mesclou aos festejos juninos.

Dentre as inúmeras tradições da festa junina, era costume, nas praças de Conquista, ouvir as adivinhações e prognósticos para o ano seguinte. Como também acompanhar e, quem sabe, participar das famosas quadrilhas e dos jogos de cabra-cega, quebra-pote, correio do amor, pau de sebo ou, ainda, pular a fogueira com os vizinhos e quem chegava aos espaços públicos da cidade.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

A preservação dessa cultura popular é fundamental à memória conquistense, é o que afirma o bibliotecário do Arquivo Municipal, Fábio Freitas. “O Arquivo também se dedica a preservar o patrimônio imaterial, porque ao preservar as tradições, temos o material para que ele possa ser compreendido ou pesquisado no futuro. Isso fortalece o elo entre a população de Vitória da Conquista e a sua própria história, garantindo que ela nunca seja esquecida e que os artistas regionais recebam o devido reconhecimento”.

Identidade nordestina preservada

Antes das comemorações serem conhecidas como o maior São João da Joia do Sertão Baiano, elas ocorriam na região conquistense de outras formas. Os festejos eram movidos pelas grandes quadrilhas organizadas pelos moradores dos próprios bairros, como no Bairro Brasil, Alto Maron, Patagônia, Recreio, entre outros.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Quadrilhas escolares
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima

Tidos como memória afetiva por grande parte dos conquistenses, os famosos barracões eram montados nas praças dos bairros, onde os moradores locais se reuniam para dançar embalados pelo som dos trios pé-de-serra. Os tradicionais barracões eram comuns na década de 80 a 90, sendo os mais famosos o da Praça da Saudade, da Sá Barreto, o Camponesa e o Guanambi.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

O servidor público, Mauro Brige, relembra os encontros como uma lembrança viva ainda hoje. “Eu sempre frequentava os barracões, gostava das músicas e das bandas que tocavam. Tinha me acostumado a ir com os colegas, eu gostava muito desse estilo de festa de São João. É um amor de infância”.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Mauro Brige
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Durante as festas, os acordes ressoados pela sanfona se consagraram como o símbolo do São João conquistense. Através da musicalidade do forró autêntico, a memória cultural da região é preservada, sendo os sanfoneiros os guardiões da identidade nordestina e dos festejos juninos.

Para o coordenador e professor do Conservatório Municipal de Música, Daniel Novaes, o fole da sanfona funciona como um coração que dá vida à musicalidade junina. “O forró pé-de-serra é um patrimônio cultural. Ele conta histórias, preserva costumes e transmite valores de geração para geração. Quando ouvimos o som da sanfona, imediatamente somos transportados para as memórias afetivas e a cultura do nosso povo. Preservar essa tradição é preservar a nossa própria história”.

O som do acordeon atua como um símbolo familiar, é o que afirma a filmmaker Samara Oliveira. “Meu amor pelo forró vem desde a infância. Quando eu ouço a sanfona tocar é um sentimento de nostalgia, porque a minha família é toda forrozeira e eu cresci ouvindo forró. Quando eu ouço ao vivo, eu volto a ser aquela criancinha soltando bombinha com os meus primos e comendo comidas típicas”.