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Mais que cuidar da roupa: lavanderias públicas de Vitória da Conquista garantem dignidade e geram renda para mulheres
O som da água correndo e o cheiro de sabão misturado ao amaciante ditam o ritmo diário em três pontos estratégicos do município. Nas lavanderias pú...
03/07/2026 16h37
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

O som da água correndo e o cheiro de sabão misturado ao amaciante ditam o ritmo diário em três pontos estratégicos do município. Nas lavanderias públicas dos bairros Guarani, Conquistinha e Panorama, a rotina começa cedo. Mais do que estruturas de utilidade pública, esses espaços funcionam como redes de apoio, geração de renda e convivência, frequentados majoritariamente por cerca de 40 mulheres.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Mantidos pela Prefeitura Municipal, os locais atendem a uma parcela significativa da população que encontra no serviço uma alternativa viável para o orçamento doméstico ou o sustento familiar.

Trabalho autônomo e sustento do lar

Para muitas das frequentadoras, a lavanderia pública é a principal ferramenta de trabalho. É o caso de trabalhadoras autônomas que utilizam a estrutura municipal para lavar roupas “para fora”, viabilizando o sustento de seus lares ao reduzirem os custos domésticos com água e energia elétrica.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Teresa Sampaio
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

No Conquistinha, a rotina de Teresa Sampaio, de 58 anos, ilustra o impacto real desse equipamento público. Há 29 anos atuando como lavadeira, ela encontrou no espaço do bairro a base para consolidar sua atividade profissional, onde cumpre expediente diário das 7h às 13h.

“Se não fosse essa lavanderia, estava sem fazer nada. Chega em certa idade, empresa nenhuma quer pegar mais. A lavanderia é muito importante para mim e para a comunidade aqui”, afirma Teresa. Antes, a mãe de nove filhos e avó de 13 netos lavava a roupa em sua própria residência.

Com uma clientela fixa de cerca de oito pessoas, ela organiza o faturamento por meio de pacotes mensais ou cobranças por peça e edredons. Os rendimentos obtidos na estrutura cobrem todo o processo — de lavar a passar — e ajudam a complementar a renda familiar e o sustento de filhas e netos.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Rita de Cássia
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Essa realidade de quem depende do suporte municipal para gerar renda se repete no bairro Guarani com Rita de Cássia de Jesus, de 63 anos. Sua trajetória na profissão começou há décadas, ainda na época do antigo minador, antes da construção da atual estrutura física. “A gente lava aqui porque não gasta a água de casa. A importância é muito grande, porque as coisas estão muito caras. A lavanderia ajuda a gente a sobreviver”, relata Rita.

Com uma rotina que varia de três a quatro vezes por semana, dependendo do volume de trabalho, ela utiliza o espaço para lavar e estender as peças. Para evitar o transporte de cargas excessivas, Rita organiza o deslocamento em etapas, utilizando uma galinhota para levar as roupas limpas para casa.

Tradição, agilidade e memórias locais

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Maria Ilza
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

O perfil das usuárias também engloba aquelas que encontram nas lavanderias públicas a eficiência necessária para o cuidado com as roupas da própria família, integrando o espaço à história de desenvolvimento dos bairros.

Ainda no Guarani, o equipamento faz parte de um complexo social que transformou a dinâmica da comunidade. Maria Ilza Mendonça, que está prestes a completar 70 anos e reside no bairro desde os 10, acompanhou de perto essa evolução — desde o tempo em que era necessário buscar água na barragem ou em poços até a consolidação do espaço que uniu escola, posto de saúde e lavanderia. Viúva, mãe de cinco filhos e avó de cinco netos, ela frequenta o local duas vezes por semana e destaca a praticidade da estrutura coberta e organizada.

“Dentro de casa a gente se distrai muito, faz uma coisa e outra, batem na porta… Aqui não, a gente foca só na roupa e o trabalho anda mais ligeiro. Venho logo cedo, depois de deixar minha neta na creche, e quando dá oito e meia a roupa já está toda torcida”, explica Maria.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Orminda Santos
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Quem também compartilha dessa ligação histórica com o local é Orminda Santos, de 63 anos. Moradora da rua em frente à lavanderia há mais de três décadas, ela traz na memória o tempo em que o movimento exigia o uso de crachás e a organização de filas, época em que ajudava sua mãe, que trabalhava lavando de ganho. Hoje, mãe de dois filhos e avó de um neto, Orminda trabalha fora, mas reserva cerca de dois dias da semana para lavar a roupa de casa na estrutura pública.

“Se eu pudesse, ficava o dia todo aqui, de tão bom que é. A convivência é excelente e o espaço é muito limpo. A estrutura melhorou muito, instalaram mais pias e o espaço para estender garante que a gente já leve a roupa sequinha para casa”, elogia Orminda.

O Governo Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública, monitora o funcionamento das unidades para garantir que a infraestrutura atenda à demanda e continue cumprindo seu papel de promover a inclusão social e o fortalecimento do trabalho feminino no município.

O secretário de Ordem Pública, Luís Paulo Santos, reforça que as melhorias vêm otimizando o fluxo e o atendimento às moradoras. “Há cerca de dois anos, instalamos 12 lavanderias nos bairros Guarani, Panorama e Conquistinha. É um trabalho onde a gente sempre dá suporte para essas senhoras trabalhadoras que fazem lavagem de roupas no município, por meio dessas três lavanderias municipais”, destaca o secretário.