A promoção da igualdade racial, a valorização da cultura afro-brasileira e o fortalecimento da educação antirracista estiveram entre os temas discutidos durante reunião extraordinária do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR), realizado nesta quarta-feira, 4. Um dos destaques da pauta foi a apresentação do projeto Capoeira na Escola – Cultura Afro-Brasileira, Desporto e Equidade em Destaque, proposta que pretende ampliar a presença da capoeira no ambiente escolar e fortalecer o reconhecimento das raízes culturais afro-brasileiras.
Apresentado pelo Conselho de Mestres de Capoeira do Estado de Sergipe (CMCES), em parceria com entidades representativas da capoeira sergipana, o projeto prevê a implantação de atividades em 60 escolas da Rede Pública Estadual de Ensino, com público estimado de até 9 mil estudantes. A iniciativa tem duração prevista de dez meses e busca priorizar unidades escolares situadas em territórios com maior vulnerabilidade social e menor acesso a atividades e equipamentos culturais.
Para a secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, iniciativas como essa são fundamentais para fortalecer o reconhecimento da história e da contribuição da população negra, além de ampliar as oportunidades de inclusão por meio da educação e da cultura. “Valorizar a capoeira é também reconhecer a história, a resistência e a contribuição do povo negro para a formação da nossa sociedade. Quando levamos essa manifestação cultural para dentro das escolas, ampliamos as oportunidades de aprendizagem, fortalecemos o respeito à diversidade e contribuímos para a construção de uma educação mais inclusiva e antirracista. É fundamental que nossas políticas públicas garantam às novas gerações o acesso à cultura, ao conhecimento da ancestralidade e ao reconhecimento de suas identidades”, destacou.
Para o representante do CMCES, Mestre Falcão, a proposta representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da capoeira como instrumento de educação, valorização cultural e transformação social. “Esse projeto representa uma conquista muito importante para a capoeira sergipana. Nosso objetivo é levar às escolas muito mais do que uma prática esportiva. Queremos compartilhar história, cultura, ancestralidade e valores que fazem parte da identidade do nosso povo. A capoeira é uma ferramenta de educação, inclusão e transformação social. Chegar a 60 escolas significa abrir portas para milhares de crianças e adolescentes conhecerem e valorizarem essa herança cultural”, afirmou.
A proposta utiliza a capoeira como instrumento pedagógico, esportivo e cultural, articulando movimento corporal, música, história, ancestralidade, identidade, convivência, disciplina, respeito e cidadania. A iniciativa também pretende contribuir para a valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro e para o enfrentamento das desigualdades raciais por meio da educação.
De acordo com o projeto apresentado, as atividades serão direcionadas a estudantes de 6 a 17 anos, contemplando alunos do Ensino Fundamental e Médio. A previsão é atender até 150 estudantes por escola, com metodologia adaptada às diferentes faixas etárias e necessidades dos participantes.
Outro aspecto importante é a proposta de integração da capoeira ao currículo escolar, promovendo o diálogo interdisciplinar com áreas como Educação Física, História, Sociologia, Filosofia, Arte e Língua Portuguesa. As atividades incluem práticas corporais, musicalidade, instrumentos, canto, ritmo, história e conhecimentos culturais, além de momentos de reflexão e vivência coletiva.