
Mãos que tecem a cultura de um povo compartilham arte no espaço de lazer da Casa de Acolhimento, no bairro do Tapanã, em Belém. Ali, mulheres indígenas miçangueiras do povo Warao transformam miçangas em colares, brincos e pulseiras — peças que não são apenas adornos, mas extensões de umamemória coletiva mantida viva,mesmo longe de seu território de origem.

Reunidas diariamente, elas recriam, entre fios e cores, ossaberes herdados de gerações anteriores. A produção artesanal funciona comogesto de resistência culturale também como forma de sustento. Aos domingos, ocasionalmente, esse trabalho ganha as ruas: na Praça Batista Campos, as peças são expostas e vendidas, transformando o espaço urbano em ponto de encontro entre tradições ancestrais e a vida contemporânea. Cada objeto carrega histórias, técnicas e identidades nos detalhes.


Atualmente,74 indígenas Warao— entre homens, mulheres e crianças — vivem na Casa de Acolhimento administrada pela Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa). O espaço foiestruturado para garantir condições dignas de vida e reduzir situações de vulnerabilidade social.
A casa dispõe deatendimento jurídico, acompanhamento de médicos e enfermeiros, além de uma equipe multidisciplinarformada por assistentes sociais, psicólogo, arte-educador e educador social. Há também área de lazer com espaço para práticas esportivas, serviço pedagógico ealimentação diária completa e balanceada, planejada por nutricionistas da Fundação.

Segundo a coordenadora,mudanças implementadas pela atual gestão municipal impactaram diretamente a qualidade de vida dos moradores.“A equipe de trabalho aumentou bastante nessa gestão. Antes, nem todas as crianças e adolescentes estavam matriculados em uma escola e, hoje, todos estão. O número de refeições diárias aumentou. A área de saúde melhorou bastante, e nós conseguimos fazer uma parceria com as Unidades Básicas de Saúde do bairro do Tapanã, para que eles estejam sempre bem assistidos”, explica.
Entre políticas públicas e práticas cotidianas, a Casa de Acolhimento se torna mais do que abrigo: éterritório onde cultura, cuidado e pertencimento seguem sendo tecidos — miçanga por miçanga.
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