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Copemcan recebe ações de intercambistas do Projeto Colabora APS do Ministério da Saúde

Ao longo de três dias, intercambistas de quatro estados vivenciaram o funcionamento do SUS na localidade

24/04/2026 às 18h42
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Fotos: Ascom Sejuc
Fotos: Ascom Sejuc

O Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), localizado no povoado Timbó, no município de São Cristóvão, e vinculado à Secretaria de Estado da Justiça e de Defesa do Consumidor (Sejuc), recebeu nos dias 22, 23 e 24 de abril, a visita de intercambistas do Projeto Colabora APS. A iniciativa é do Ministério da Saúde, financiada pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps) e em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As ações foram realizadas por meio da Escola Nacional de Saúde Pública em 30 cidades brasileiras selecionadas para receber o Projeto entre as mais de 400 inscrições. Ao longo dos três dias os intercambistas de quatro estados vivenciaram, na prática, o funcionamento do SUS na localidade. 

Segundo a secretária de Estado da Justiça e de Defesa do Consumidor, Viviane Pessoa, sediar o encontro com as comitivas de Maringá (PR), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ) e Fortaleza (CE) representou um marco para a unidade prisional. “O fomento à educação física no sistema é uma ferramenta estratégica e indispensável para combater a ociosidade inerente à privação de liberdade. Além disso, é vital para a manutenção da saúde física e mental do grupo. Foi um momento importante para o sistema prisional receber os intercambistas do Projeto Colabora APS, do Ministério da Saúde, em parceria com a FioCruz”, destacou. 

A representante do Ministério da Saúde, Evellyn Santos, ressaltou que os intercambistas permitem reunir e desenvolver respostas construídas em diferentes territórios. “O projeto é, especialmente, um espaço de trocas. Formamos um conjunto vivo de experiências inovadoras, que colaboram para fortalecer o Sistema Único de Saúde, aumentando o acesso, a equidade e a qualidade do cuidado em todo o país. Esse movimento também impulsiona a criação e o aprimoramento de políticas públicas”, considerou. 

Para a vice-diretora do Copemcan, Elilda Souza Barros Alves, a prática contínua de exercícios tem demonstrado resultados diretos na ressocialização dos internos. “Avalio o intercâmbio como uma via de mão dupla, essencial para compartilhar as metodologias que já funcionam no complexo e absorver novos conhecimentos que possam qualificar ainda mais o atendimento prestado”, salientou. 

A gerente da unidade prisional do Copemcan, Ariadne Teles, destaca que a escolha do projeto sergipano entre cerca de 400 inscritos no país consolida o trabalho de saúde realizado no Complexo. “Embora a iniciativa selecionada seja focada na educação física, a prática revelou a eficácia de um cuidado longitudinal, garantindo a prevenção de doenças e a melhora da saúde mental dos privados de liberdade. A viabilidade e o sucesso do projeto resultam de um esforço conjunto, que conta com a abertura da direção da unidade e o apoio tático dos policiais penais”, afirmou. 

O encontro de três dias, promovido pelo Colabora APS, reuniu cerca de 13 especialistas. A comitiva contou com representantes do Ceará, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro, além de autoridades do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES). O evento, focado em inovações na Atenção Primária, funcionou como uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que a equipe do Copemcan compartilhou sua expertise, a unidade absorveu soluções implementadas por outros estados em áreas como odontologia e acesso geral à saúde, fortalecendo as bases do Sistema Único de Saúde (SUS) no ambiente prisional.

De acordo com a referência técnica de Atividade Física na Saúde do município de São Cristóvão, Tássia Leal, a iniciativa local focada no sistema prisional foi uma das contempladas graças ao seu olhar de equidade e cuidado horizontal. “O trabalho desenvolvido em São Cristóvão ganhou destaque nacional ao integrar a Rede Colabora APS, projeto realizado pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde. Atualmente, o município sedia um intercâmbio com representantes do Ceará, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná, com o intuito de compartilhar os resultados exitosos para que o modelo seja replicado”, pontuou. 

Na prática, o projeto vem transformando a realidade dos internos desde 2021. Cláudio Santos, profissional de Educação Física do município, explica que o Programa atende desde idosos na enfermaria até trabalhadores das oficinas e grupos nos pavilhões. “A prática regular de exercícios no sistema prisional vai muito além do condicionamento físico: é uma ferramenta crucial para a ressocialização, a melhora da saúde mental e o controle do crescente número de doenças crônicas e comorbidades entre os privados de liberdade. A alta adesão e os impactos positivos tornam a experiência de Sergipe um modelo com potencial de expansão para todo o Brasil”, destacou. 

Agente de colaboração Norte/Nordeste da Fiocruz, Priscilla Batista enfatizou que o projeto busca fomentar essas experiências e tecnologias na atenção primária à saúde em todo o país. O principal papel desta iniciativa é a troca entres as pessoas que desenvolvem em seus municípios as experiências, permitindo que os mesmos se fortaleçam e estimulem inovações. “Sabemos que há uma grande produção na saúde pública brasileira, e esse projeto representa uma oportunidade de dar visibilidade a essas práticas. A participação de São Cristóvão se destaca especialmente pela atuação na saúde prisional. O município inovou ao estruturar uma equipe específica de atenção primária voltada às pessoas privadas de liberdade. O trabalho envolve ações de prevenção, promoção, tratamento, reabilitação e práticas corporais”, acrescentou. 

Intercambista do Rio de Janeiro, Keith Simas compartilhou seu sentimento em participar dos intercâmbios. “O que aprendemos em outras cidades levamos para a nossa realidade e, também, compartilhamos nossas experiências. Em São Cristóvão, tivemos uma grata surpresa: é uma cidade linda, histórica, e fomos muito bem recebidos. Conhecer as experiências na prática, dentro dos territórios e das redes de saúde, faz toda a diferença. São trocas que não acontecem da mesma forma apenas com apresentações”, finalizou.
 

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