
Em uma sociedade em que milhões de brasileiros convivem com a surdez, aprender a se comunicar também é um ato de cidadania. Foi com esse propósito que a Prefeitura de Vitória da Conquista iniciou, nesta semana, o curso “Mãos que falam: Libras para inclusão”, promovido pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM). A aula inaugural reuniu grande público, entre comunidade e servidoras municipais, e confirmou a alta demanda pela formação, tanto que uma nova turma será aberta em breve.

De acordo com dados do IBGE, mais de 10 milhões de brasileiros possuem algum grau de deficiência auditiva. Nesse contexto, a Língua Brasileira de Sinais (Libras), reconhecida oficialmente no país, é fundamental para garantir o direito à comunicação e o acesso a serviços essenciais, fortalecendo a inclusão social.
A coordenadora de Políticas e Assuntos Transversais da SMPM, Melry Amaral, destacou que a iniciativa surgiu a partir da necessidade de ampliar a inclusão dentro dos próprios serviços ofertados pela secretaria. “Cada atendimento dentro da própria secretaria nos mostrou que era necessário avançar ainda mais na inclusão, inclusive para os nossos servidores. Muitas das mulheres atendidas também trabalham diretamente com o público, então essa qualificação contribui para um atendimento mais acessível e humanizado”, afirmou.
A gerente de projetos da SMPM, Alexandra Pereira, ressaltou a importância da ação diante da alta demanda e do impacto no cotidiano das participantes. “Esse é um curso muito esperado por nós e pelas mulheres atendidas pela secretaria. A procura foi tão grande que já vamos abrir uma nova turma. É um conhecimento essencial, porque nunca sabemos quando vamos precisar nos comunicar com uma pessoa surda. Então, aprender Libras é algo muito importante para o dia a dia”, destacou.
A professora de Libras, Daisy Oliveira Rocha, explicou que o curso vai além do ensino técnico e busca promover respeito e compreensão sobre a comunidade surda. “A Libras é uma língua completa, com estrutura própria, e aprender vai muito além de decorar sinais. É sobre respeito e inclusão. Não se trata de ‘ajudar’, mas de se comunicar. A pessoa surda faz parte da nossa sociedade e precisa ser compreendida e respeitada”, enfatizou.

Entre as participantes, o curso representa oportunidade e também necessidade prática. A dona de casa Evani Ribeiro disse que decidiu se inscrever por ter familiares com deficiência auditiva. “Tenho duas irmãs com deficiência auditiva e sempre senti essa necessidade. Quando surgiu o curso, não pensei duas vezes. É muito importante ver essa iniciativa, porque aproxima as pessoas e fortalece o cuidado com o outro”, relatou.
Já a servidora Sicleide Alves, que atua no Centro de Referência Albertina Vasconcelos (Crav), destacou a importância da capacitação para o atendimento às mulheres. “No nosso setor, lidamos diretamente com o público, e é fundamental estar preparado para acolher todas as mulheres, inclusive aquelas com deficiência. Esse curso nos dá ferramentas para oferecer um atendimento mais completo e humanizado”, afirmou.
Com duração de três meses e nível básico, o curso tem como objetivo ampliar a comunicação entre ouvintes e pessoas surdas, além de contribuir para a qualificação dos participantes. A ação integra as políticas públicas do município voltadas à inclusão social e ao acesso a oportunidades, fortalecendo a construção de uma cidade mais acessível e igualitária.
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