

Fazenda Bom Retiro recebeu mais de 400 pessoas no Dia Campo
Na manhã desta sexta-feira (22), a Fazenda Bom Retiro, em Cândido Sales, foi a sede do 3º Dia de Campo do projetoCitrus do Futuro. O evento, promovido pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR), reuniu mais de 400 pessoas — entre produtores, palestrantes, estudantes e técnicos — para celebrar os dois anos da iniciativa, lançada oficialmente no dia 27 de maio.
Parte do programa governamentalVamos Produzir, o projeto tem como objetivo incentivar a citricultura (cultivo de laranja, limão e tangerina) no município, aproveitando o microclima favorável do Planalto da Conquista e a crescente demanda de mercado para gerar renda, especialmente entre os pequenos produtores da agricultura familiar.
Até o momento, o projeto já ultrapassou a marca de50 mil árvores plantadase beneficia mais de 60 produtores locais. Com um investimento que já soma mais de meio milhão de reais na aquisição de mudas de alta qualidade, a Prefeitura planeja dobrar o alcance do projeto nos próximos 12 meses.

Breno e Sheila
“O Citrus do Futuro já é uma realidade no nosso município e está gerando renda para o homem e a mulher do campo”, destacou a prefeita Sheila Lemos. “Nós identificamos que a nossa região tem uma vocação natural para os citros. Trouxemos isso para o pequeno produtor complementar sua renda e os resultados já aparecem na zona rural, com pomares começando a produzir em localidades como Boa Sorte e Periquito. Diante desse sucesso, já autorizei a ampliação: a meta é chegar a 100 mil árvores nos próximos meses.”
O secretário de Desenvolvimento Rural, Breno Farias, ressaltou o engajamento da equipe na organização do Dia de Campo e o impacto social do projeto. “Mais do que números, vemos realidades sendo modificadas positivamente. Cientificamente, temos o clima ideal para essa produção e, com o apoio de parceiros como a Embrapa, o Sebrae e o Senar, a Prefeitura marcou um gol de placa”, avaliou o secretário.
Diferente das edições anteriores, o 3º Dia de Campo focou na produção defrutos de mesa(consumoin natura). Para isso, a SMDR trouxe palestrantes especializados, incluindo representantes da Associação Brasileira de Citrus de Mesa, para debater mercado, condução técnica e qualidade dos pomares.
A engenheira agrônoma, produtora e presidente da Associação Brasileira de Citrus de Mesa, Mari Anna Baptista, foi uma das palestrantes do evento e destacou o potencial geográfico de Vitória da Conquista no cenário nacional.
“O Brasil lidera a oferta global de suco, e Vitória da Conquista surge como um novoplayerna citricultura nordestina. Por estar em uma região mais alta, diferente do cultivo litorâneo tradicional, o município tem características muito peculiares para entregar frutos de extrema qualidade”, explicou Mariana, que abordou a tomada de decisões e a sustentabilidade econômica do produtor. “Uma cadeia nova em um lugar novo é a oportunidade perfeita de se começar do jeito certo”.
Dentro da cadeia produtiva da citricultura, os produtores também devem estar atentos à sustentabilidade durante a produção. Segundo o citricultor de Minas Gerais e São Paulo, Tony Simonetti, que foi um dos convidados para palestrar durante o evento, a produção da laranja de mesa requer um cuidado diário que agrega valor no momento da venda.
“Você tem que cuidar da casca, da aparência da fruta, então você tem que levar uma fruta que o consumidor vai chegar na gôndola do supermercado, ele vai olhar aquela fruta, e ter o desejo de consumir aquela fruta, cada dia mais. Esta laranja deve ter sabor, qualidade e visibilidade, então, você consegue aumentar suas vendas” comenta Tony, explicando que em relação a Vitória da Conquista, a produção ideal é a fruta de mesa por conta das questões geográficas e climáticas da região.
Para os agricultores familiares, o projeto representa a realização de novas perspectivas econômicas. O produtor Patrick Almeida, da região de Baixa do Muquém, distrito de José Gonçalves, participa do Dia de Campo pela terceira vez e já colhe os primeiros aprendizados em seu lote de 500 mudas. “Conhecimento nunca é demais. Para quem quer começar, o apoio técnico é fundamental. Minhas mudas são de tanta qualidade que, na primeira chuva, já começaram a florar”, contou.
O mesmo otimismo é compartilhado por Leonel Lacerda, produtor do Assentamento Carlos Lamarca. Integrante do projeto desde o primeiro ano, ele cuida de um hectare com 500 plantas que começam a dar os primeiros frutos aos três anos de manejo. “O apoio que estamos tendo da Prefeitura e do pessoal da SMDR é maravilhoso. O projeto já deu certo, agora só depende da dedicação de cada um de nós”, concluiu.
Os produtores interessados em aderir ao projeto e receber mudas e assistência técnica devem procurar o atendimento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR).
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