
A partir dos 35 anos, toda pessoa precisa se submeter ao exame de rastreio para diabetes, independentemente da existência de casos na família. Quando houver histórico, a investigação deve ocorrer ainda mais cedo. Esse cuidado, amplamente realizado pelo Centro de Endocrinologia e Diabetes do Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde), leva em conta o fato desta doença poder se estabelecer sem apresentar nenhum sinal.
Endocrinologista do Centro de Diabetes do Ipesaúde, Luiz Figueiredo explica que o chamado pré-diabetes é um estágio inicial da doença e que o tratamento é praticamente igual para os dois casos. Por ser assintomática, é necessário fazer a busca ativa da doença. “A grande diferença do pré-diabetes é que, como você está supostamente no estágio inicial, e se tiver uma causa muito bem definida, que esteja piorando essa situação, poderia adotar medidas, por exemplo, aumentar exercício, perder peso, que talvez consiga reverter esse pré-diabetes”, informa.
Esta é a situação da beneficiária Maria da Conceição Silva, que descobriu, há cerca de três anos, que estava pré-diabética. Na época, ela não deu a devida importância. “Não mudei nada porque não considerava algo de importância. Mas, com o passar do tempo, a gente vem percebendo que é preciso ter realmente os devidos cuidados porque esse quadro pode passar para a diabetes e ninguém quer ser diabética”, relatou a paciente, que incluiu exercício físico e alimentação balanceada à sua rotina.
Ela também buscou atendimento com a equipe multidisciplinar do Centro de Endocrinologia e Diabetes. “Até então, eu achava que o feijão com arroz não ia me colocar no quadro diabético, embora eu seja pré. Mas eu tenho certeza que isso aí vai me levar para um quadro. Então, preciso ter orientação melhor e estou aqui para esse fim, para a melhoria”, contou Maria da Conceição, que é servidora aposentada.
Fatores de risco
Sobrepeso ou obesidade, sedentarismo, ter acantose nigricans, uma condição de pele que afeta áreas de dobra do corpo como, pescoço, axila, embaixo da mama ou na virilha, com uma coloração um pouco mais escurecida; mulheres com ovário policístico, altos índices de triglicérides, colesterol e pressão alta; quem tem familiar de primeiro grau com diabetes (pai, mãe ou irmãos) ou quem já tem doença cardiovascular, entre outras situações, deve pesquisar diabetes antes dos 35 anos, pois são fatores de risco para a doença.
A diabetes não tratada ou sem controle pode causar males no longo prazo, envolvendo praticamente todos os outros órgãos. “A diabetes não tem cura. O paciente vai conviver com ela para sempre. O grande objetivo do tratamento, principalmente o de forma precoce, é manter a qualidade de vida dos pacientes”, alerta Luiz Figueiredo.
Cuidados e alimentação
Atividade física, alimentação controlada e medicação prescrita compõem a tríade do acompanhamento dos quadros de pré-diabetes. O nutricionista do Ipesaúde, Noel Andrade, que integra a equipe multidisciplinar do Centro de Endocrinologia e Diabetes, lembra que o pré-diabetes vem como um aviso de que é preciso mudar os hábitos. “Quando você faz exames periodicamente, é possível sim reverter o quadro através de uma alimentação adequada e atividade física. O nutricionista vai orientar esse paciente e ensinar ao mesmo tempo como deve se alimentar. Hoje, algumas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes já mostram que, quando você inicia uma refeição com a proteína, ela consegue retardar a absorção da glicose no sangue do paciente. Então, o nutricionista é fundamental nessa remissão do tratamento do pré-diabetes, ensinando mesmo como ele deve comer e quais alimentos deve estar introduzindo ou retirando no dia a dia”, explica.




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