
As margens do Rio São Francisco foram palco do que mais torna a cultura sergipana pulsante. As cidades de Gararu e Canindé de São Francisco celebraram, na quinta-feira, 11, a quarta edição do Festival Junino da Educação (Fejune), com muito forró, alegria e comidas típicas. Os estudantes da rede pública estadual foram os protagonistas dessa grande festa, com apresentações de quadrilhas, montagem de barracas e produção dos melhores quitutes juninos.
Celebrado desde o dia 3, o Fejune é um programa da Secretaria de Estado da Educação (Seed) que busca preservar e potencializar os festejos juninos. Todas as Diretorias Regionais de Educação (DREs), incluindo a Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), estão com sedes para celebrar esse que é o programa mais cultural da rede. Todos os anos, os arraiás de cada DRE mudam, e os municípios de Gararu e Canindé de São Francisco foram, em 2026, as sedes das DREs 7 e 9, respectivamente. As duas cidades reuniram comunidade escolar e populares e coloriram os locais da festa com bandeirinhas e roupas de quadrilha, ambientando a atmosfera com músicas, protagonizadas pelo triângulo, zabumba e sanfona.
Em presença na cidade de Gararu, o vice-governador do estado, Zezinho Sobral, reforçou a importância do Fejune para Sergipe. “Todas as vezes que há um evento como o Fejune, temos o resgate da nossa cultura. Os elementos que compõem a nossa história, a nossa vida, são trazidos pelas escolas e pelos alunos. Aqui, em Gararu e em Canindé de São Francisco, temos as ações e os costumes típicos dessas regiões”, ressaltou.
Também em Gararu, a secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães, ressaltou a importância do Fejune para as escolas da rede. “No Fejune, a gente celebra a nossa sergipanidade, as nossas tradições, nossa gente e os nossos costumes. Os festejos juninos são fortes em todos os territórios de Sergipe, e a gente transforma essa tradição em uma prática pedagógica”, comentou.
Gararu
O município de pouco mais de 11 mil habitantes recebeu as 13 escolas de toda a DRE 7 para o Fejune. A praça de eventos da orla da cidade foi tomada por barracas festivas, cada uma representando a sua escola. Bolos de milho, macaxeira e cenoura, além de doces de banana e de cocada e o clássico amendoim cozido, deram sabor à praça, localizada às margens do ‘Velho Chico’.
A diretora da DRE 7, Maria das Graças Albuquerque, falou sobre a realização do Fejune na cidade. “Esse momento é importantíssimo porque é uma integração de todas as escolas. Todas as 13 escolas estão aqui para apresentar um pouco da sua cultura, da sua culinária. Ou seja, para fortalecer as tradições juninas. É um momento que elas gostam muito de participar”, afirmou.
Para as apresentações, os estudantes estavam muito bem caracterizados. A aluna Gabrielly Vieira Nascimento, do Colégio Estadual Prof. José Augusto da Rocha Lima, veio com a sua turma apresentar no festejo. “Eu amo o São João. É a minha época favorita do ano. O Fejune é um momento especial, e está reunindo todas as escolas. Apresentamos, nos reunimos, celebramos, dançamos e curtimos”, contou.
Entre as barracas, uma que fez forte presença foi a barraca do Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Quilombola 27 de Março. A aluna Maria Alice Santos, do 9° ano, estava acompanhada de vários estudantes da escola, que compuseram o teatro ‘Raízes Quilombolas’ para ser apresentado no Fejune. “A gente veio aqui, primeiramente, representar a cultura afro e dizer que há, sim, relação com a cultura junina. Também viemos mostrar um pouco das nossas comidas típicas do quilombo, além da nossa história”, relatou.
A professora de História Maria Nazaré ressaltou a importância da participação e representatividade do Colégio quilombola. “A nossa participação é muito importante para preservarmos a nossa identidade, por sermos o primeiro território quilombola de Sergipe. Falar sobre ancestralidade quilombola e cultura junina tem tudo a ver”, explicou.
Na praça, havia a presença de famílias de estudantes. O casal Rosimeire Jesus Santos e José Adilson Nunes estava acompanhando um de seus filhos nas apresentações. Para o Adilson, pescador da cidade, o São João é forró pé-de-serra. “Para mim, o importante é o forró”, frisou.
Canindé de São Francisco
O alto sertão sergipano também participou do Fejune com presença em ‘P maiúsculo’. A cidade de Canindé de São Francisco foi o palco da festa pela primeira vez, representando a DRE 9 com força e personalidade. A quadra do Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto estava viva e enérgica, com a cultura vazante no vai e vem dos estudantes, professores, gestão escolar e sociedade, que povoaram o local. Todas as 14 unidades escolares da DRE 9 estiveram presentes no evento.
Para a diretora da DRE 9, Meire Ferreira da Silva, a realização do Fejune na cidade, de forma inédita, mostra a diversidade local dos municípios da Regional. “Somos alto sertão sergipano, mas cada cidade tem a sua marca de tradição. E Canindé não é diferente. O espaço escolar do ‘Dom’, sem sombra de dúvidas, é de uma grandeza de ensino”, afirmou.
O ambiente estava cheio de barracas, repletas de comidas típicas. Nomes como mungunzá, arroz doce, milho cozido, pamonha, xerém e ‘churrasquinho’ estampavam a placa de cada uma delas. Na quadra, as danças ocorriam com fervor. Uma delas foi realizada pelas turmas dos estudantes Arthur Alves, do 1° ano A, e Alyce Ferreira, do 1° ano C, ambos do Ensino Médio do ‘Dom Juvêncio’. Eles formaram o casal Lampião e Maria Bonita para dançar o xaxado, juntamente com outros casais.
Para Arthur, a festa estava animada. “Estou gostando, até porque tem as apresentações, as comidas, as pessoas juntas. É um evento muito importante, tradicional da região”, contou.
Já Alyce disse sentir saudades da quadrilha, que gostaria de fazer novamente. “A gente representou um casal de muitos anos, cujo amor era algo invejável. A sensação de se sentir um pouco como eles é muito legal”, considerou.
Na plateia, pais de alunos e populares assistiam às apresentações, que envolveram até mesmo a Copa do Mundo, iniciada, também, na quinta, 11. Um dos espectadores foi a ex-professora Maria do Socorro Feitoza, com 41 anos de sala de aula no ‘Dom Juvêncio’. Ela falou sobre os tempos do forró que viveu. “Comecei nos anos 60 e me aposentei em 2004. Tinha forró por aqui, mas com menos gente porque a população era menor. Era mais simples, mas sempre teve o São João e as quermesses. O São João é uma festa tradicional, e as escolas sempre comemoraram”, comentou.
A programação do Fejune terá encerramento no próximo dia 18, nas DREs 3 e 5. As cidades que sediarão as regionais serão Itabaiana e Nossa Senhora das Dores, respectivamente. Junho ainda tem muito o que comemorar, e as escolas da rede pública estadual farão seu papel em fortalecer os festejos juninos em Sergipe.
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