
“Por já ter trabalhado com uma neuropediatra adquiri a facilidade de compreensão do universo do público infantil neurodivergente. Então, fui percebendo que minha neta andava na ponta dos pés e era uma criança que não pedia nada. Nem água". O relato de Elidney de França a respeito da neta Júlia Roberta Rezende, de 5 anos, paciente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) do Centro de Terapias Integradas Hanna Kauany Teles de Paula do Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde). Com 14 consultórios, a unidade – localizada no bairro Salgado Filho, em Aracaju – atende crianças de até 13 anos, oferecendo cuidado especializado em um ambiente acolhedor, acessível e planejado exclusivamente para as necessidades de crianças neurodivergentes.
Por meio de um diagnóstico especializado e a compreensão dos familiares, a melhoria da qualidade de vida é notória no desenvolvimento das crianças. “Júlia não falava nada, tinha um sono agitado e não gostava de interagir com outras crianças. Quando percebi esses sinais de comportamento, tomei a decisão de procurar um profissional da área e, assim, o diagnóstico foi concluído. Acredito que quanto mais cedo é iniciado o tratamento, melhor para a criança e a família se adaptarem a essa realidade com o objetivo de obter avanços na qualidade de vida”, relata Elidney.
De acordo com a avó, Júlia teve uma grande evolução com as terapias do Centro. “Hoje, ela fala muito bem, brinca com outras crianças e não se incomoda mais com o ato do toque. Mesmo ainda tendo seletividade alimentar, percebemos o quanto ela está evoluindo em vários fatores chegando ao ponto de pessoas nem acreditarem que ela seja autista”, informa.
O ambiente acolhedor e com estrutura adequada para esta vivência reflete positivamente no tratamento. “Temos um sentimento especial por este lugar. É acolhedor e isso faz toda a diferença. O tratamento de Júlia, atualmente, contempla fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional e psicopedagogo que trabalham em conjunto tendo um único foco que é a evolução no comportamento da nossa menina e isso está cada vez mais perceptível”, frisa.
Para Emile Cartaxo, foi o desenvolvimento motor da filha Rafaella Dantas, 3, que chamou atenção e a fez buscar atendimento especializado no Centro de Terapias Integradas do Ipesaúde. Foi durante o acompanhamento na unidade que a criança recebeu o diagnóstico de TEA nível 1 de suporte. “A pediatra notou o atraso do caminhar sem apoio de Rafaela. Foi daí a minha ideia de procurar a unidade com a intenção dela iniciar um tratamento de fisioterapia”, conta.
Atendimento multidisciplinar
Emile encontrou no Centro de Terapias o suporte necessário para a evolução de sua filha e elogia o trabalho dos profissionais. “Encontramos profissionais incríveis na unidade e, além do andar, foi constatado ainda atrasos na fala e outras áreas. Digo sempre que o diagnóstico é o ponto de partida e o papel dos pais e responsáveis é em promover o desenvolvimento em uma ação conjunta com a equipe de terapeutas. Rafaela é outra criança agora e se tornou uma ‘tagarela’. Notamos a melhoria em demais habilidades de rotina. Ela é muito feliz, se sente confortável e satisfeita com toda atividade aplicada aqui”, pontua.
O terapeuta ocupacional do Ipesaúde, Tiago Santana, enfatiza o papel fundamental da especialidade em paralelo com outras especificidades técnicas. “A atuação da terapia ocupacional neste trabalho é fundamental no acompanhamento de toda criança no processo de desenvolvimento. A aplicação de um acolhimento mais global dentro da neurodiversidade junto com as diferentes categorias profissionais que se somam no fortalecimento deste repertório”, diz.
Referência no cuidado infantil
A coordenadora do Centro de Terapias Integradas, Márcia Fonseca, relembra a respeito da implantação da unidade e os ensinamentos diários que ganham valor junto com a experiência técnica. “Tudo surgiu como um sonho de ter um lugar específico para atender crianças neurodivergentes, todavia, este trabalho era realizado no Centro de Reabilitação que atendia tanto crianças como adultos. A partir disso, surgiu a necessidade de atender a demanda do público infantil implantando uma unidade com tratamento multidisciplinar para um público de 0 a 13 anos”, afirma.
“Vale frisar, que além de crianças neurodivergentes, o público com Síndrome de Down e paralisia cerebral também são atendidos no espaço principalmente na parte de reabilitação. Não se trata de um caminho em linha reta. Cada criança tem um perfil individual e que precisa de atenção e estímulo para seu progresso ”, conclui Márcia.
Eu até incentivava muito e dizia: Júlia quer uma água? Ela nunca respondia, ou seja, pegava na minha mão e apontava para água. Além disso, a forma de brincar também chamou a minha atenção: organizava os brinquedos sempre em filas. No consultório (meu ambiente de trabalho) acompanhei vários diagnósticos de crianças e a vivência das mães. Tudo isso contribuiu para levantar a possibilidade de que minha neta poderia ser uma criança autista”.






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