
A cada ano, a chegada de Nossa Senhora de Nazaré renova sentimentos que atravessam gerações e une milhares de pessoas em torno da fé, da gratidão e da esperança. Em Belém, o Círio émais do que uma manifestação religiosa: é uma tradição que reúnefamílias, fortalecepromessase transforma histórias de vida em demonstrações de amor àRainha da Amazônia.
Na manhã deste sábado (10),a emoção tomou conta da Escadinha da Estação das Docas durante a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, após a Romaria Fluvial do Círio 2026. A cerimônia contou com honrarias de Estado e a participação do arcebispo metropolitano de Belém, Dom Júlio Endi Akamine, e do prefeito Igor Normando. Após a recepção, os motociclistas se prepararam para seguir pelas ruas da capital na tradicional Moto Romaria.
Segurando a imagem peregrina, Dom Júlio desceu do navio e a apresentou aos devotos que aguardavam no local. Em seguida, entregou-a ao prefeito de Belém, que a conduziu durante a cerimônia. A programação organizada pela Prefeitura também contou com apresentações de músicas religiosas, incluindo a participação do cantor Kim Marques, que ajudaram aenvolver o públicoem umclima de devoção.

Para o prefeito Igor Normando, participar da recepção da imagem peregrina é uma experiência que ultrapassa as atribuições do cargo público. Como morador de Belém, ele compartilha com milhares de paraenses uma relação com o Círio que começou ainda na infância.



A emoção também estava presente entre os devotos que acompanharam a chegada da imagem. A empresária Nilda Sodré, de 66 anos, e o marido, Roberto Bezerra, também de 66, são casados há 19 anos e acompanham o Círio háduas décadas. Moradores do Rio de Janeiro e com vínculos com Belém, eles compartilham umahistória em que a féocupa um lugar especial.

Foi Nilda quem apresentou a festividade ao marido. Com o passar dos anos, Roberto também se apaixonou por Nossa Senhora de Nazaré e pelatradição que reúne milhões de fiéis.
Após a cerimônia de recepção da imagem, os motores ganharam destaque com o início da Moto Romaria, que reúne motociclistas de diferentes idades e trajetórias em homenagem à padroeira dos paraenses.
Entre os participantes está omotoclube Feras do Asfalto, fundado por Ivanete Costa, conhecida como Preta. Há 15 anos, o grupo participa da romaria, unindo adevoçãoa Nossa Senhora de Nazaré àpresença femininano universo domotociclismo.

A criação do motoclube surgiu da vontade de abrir espaço para mulheres que compartilhavam a paixão pelas duas rodas. Ao perceber que não havia um grupo exclusivamente feminino no estado, Ivanete decidiu tomar a iniciativa.

A tradição também faz parte da vida de Edson Lima, de 41 anos, vigilante e morador do bairro 40 Horas, em Ananindeua. Desde 2015, ele participa da Moto Romaria com oGrupo Parceiros da Fé, mantendo o compromisso de homenagear Nossa Senhora de Nazaré.
Para alguns romeiros, a Moto Romaria também é uma oportunidade de apresentar à Santa os sonhos mais íntimos. É o caso da agricultora Rose Maia, de 40 anos, moradora de Benevides, queparticipa da manifestação há mais de dez anosao lado do marido, Everton Baia, de 46, agente de segurança.

Neste ano, o casal leva um pedido especial: a bênção de Nossa Senhora de Nazaré para realizar o sonho de ter um filho. A participação na romaria representa um gesto defé e a esperançade construir uma nova etapa na vida familiar.


Entre orações, cânticos e o ronco dos motores, a chegada da imagem peregrina e a Moto Romaria dão voz a milhares de histórias pessoais. São casais que compartilham a devoção, mulheres que abrem caminhos, romeiros que renovam seus agradecimentos e famílias que depositam na Santa seus sonhos mais profundos.
Em cada homenagem, a mesma certeza move os devotos: a fé em Nossa Senhora de Nazaré é uma força que une pessoas, alimenta a esperança e transforma o Círio em uma experiência que permanece no coração muito depois que as romarias terminam.
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