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Em sessão em Plenário, Paim relaciona paz à vitória democrata nos EUA

A paz mundial ganhou um novo fôlego com a vitória do Partido Democrata nas eleições dos EUA de meio de mandato, que ocorreram nesta semana. Foi o q...

05/11/2026 às 18h59
Por: Redação Fonte: Agência Senado
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O senador Paulo Paim entre integrantes e apoiadores da Frente Parlamentar pela Paz Mundial - Foto: Ton Molina/Agência Senado
O senador Paulo Paim entre integrantes e apoiadores da Frente Parlamentar pela Paz Mundial - Foto: Ton Molina/Agência Senado

A paz mundial ganhou um novo fôlego com a vitória do Partido Democrata nas eleições dos EUA de meio de mandato, que ocorreram nesta semana. Foi o que afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS) durante o lançamento da Frente Parlamentar pela Paz Mundial , nesta quinta-feira (5).

Ele declarou que a conquista, por esse partido, da maioria das vagas no Senado e na Câmara daquele país, além da eleição de um grande número de governadores, representa um sinal de esperança para aqueles que acreditam na democracia, no diálogo e no respeito à vida.

O objetivo da nova frente parlamentar é fortalecer a atuação do Senado brasileiro em defesa da paz, bem como estimular o engajamento em ações e políticas que favoreçam a justiça social. O grupo é presidido pelo senador gaúcho e tem como vice-presidente o senador Flávio Arns (PSB-PR).

Na abertura do evento, Paim defendeu a solução pacífica dos conflitos em todos os continentes e disse que “os senhores da guerra serão derrotados”.

— Homens e mulheres de diferentes origens e tantas outras vozes que reapresentam a sociedade plural conquistaram seu espaço [nos EUA]. Foram 15 mulheres eleitas governadoras. Foram 116 mulheres eleitas deputadas federais. Tivemos o primeiro senador muçulmano na história dos Estados Unidos, a primeira mulher indígena para o Senado americano, o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado americano. Quatro brasileiros foram eleitos deputados estaduais e três foram reeleitos. Todos do Partido Democrata — ressaltou.

Tal diversidade, argumentou Paim, representa uma política de paz, já que “é a diversidade que constrói a paz; uma diversidade que não divide, que soma e fortalece a democracia e nos lembra que somos todos irmãos e irmãs do planeta Terra”. O senador acrescentou que a vitória dos democratas americanos confirma que a democracia não se constrói apenas no interior dos Parlamentos.

— Ela nasce nas ruas, na mobilização popular e na coragem de quem não se cala e tem coragem de dizer “eu só quero justiça”. A paz exige trabalho permanente, a democracia exige vigilância e os direitos humanos exigem compromisso.

Resgate civilizatório

Ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Fátima Nancy Andrighi afirmou que o lançamento dessa frente parlamentar, da qual ela integra o conselho consultivo, representa não apenas um ato político, mas “um resgate civilizatório, um manifesto brilhante e vibrante em favor do diálogo”.

Ela também defendeu o reforço da estrutura de paz com os mecanismos de mediação e reconciliação.

— A paz não é um estado passivo ou a simples ausência de guerra. É uma edificação ativa e contínua que exige uma escuta ativa. Que sejamos capazes de olhar nos olhos uns dos outros, mesmo nos daqueles que consideramos nossos adversários, e reconhecer ali a nossa frágil humanidade.

Consciência e pluralidade

Secretário-executivo de campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o padre Jean Poul Hansen enfatizou a importância da frente parlamentar e o respeito às diferenças.

— A paz não pode ser apenas uma palavra no nome de uma frente. Ela precisa orientar todas as escolhas desta Casa. Falamos a partir de fé cristã, com respeito à laicidade do Estado, à liberdade de consciência e à pluralidade do povo brasileiro. Não desejamos impor uma crença, mas oferecer uma contribuição ao bem comum. Nenhuma diferença religiosa, política ou cultural diminui a dignidade de uma pessoa. Nenhuma fronteira torna uma vida menos sagrada.

Comportamentos

Secretário-executivo da frente parlamentar, Ulisses Riedel de Rezende salientou que a paz mundial depende do reconhecimento da família humana. O sentido disso, frisou ele, precisa se ampliar para muito além da família pessoal, “eis que todos somos filhos do mesmo pai”.

— Somos todos irmãos. É fácil perceber que tanto a paz como as guerras são resultados de comportamentos. E também é fácil perceber que os comportamentos que levam à paz são os comportamentos virtuosos da dignidade e da correção humana. E os que levam à guerra são os da falta dessas virtudes. Não faz sentido, em pleno século 21, que nós ainda estejamos em guerras. São comportamentos equivocados e desumanos. O que faz a evolução da humanidade é a elevação dos valores.

“Dados estatísticos”

Representante do Distrito Federal no Programa Jovem Senador de 2026, Calebe Fernandes lembrou que mais de 37 mil pessoas foram mortas em conflitos armados no ano passado — e observou que hoje elas são lembradas apenas como dados estatísticos.

O estudante ressaltou ainda que, em 2025, aproximadamente 118 milhões de pessoas foram deslocadas à força devido a perseguições, conflitos, violências e outras situações de grave instabilidade política ou social.

— Se a paz é um direito fundamental e básico do ser humano, então para mais de 117 milhões de pessoas aquilo que deveria ser básico se tornou um privilégio. Para essas pessoas, poder permanecer em casa, levar os filhos à escola, trabalhar, passear, planejar o próximo ano, coisas que para todos nós aqui fazem parte da rotina, tornaram-se luxo. A paz não é apenas a ausência de guerras, é a possibilidade de viver com plenitude, integridade e harmonia; é ter condições de desenvolver a própria vida e conviver com os outros sem que o medo e a violência determinem nosso destino.

Mobilização política

Para o secretário de Assuntos Multilaterais e Políticos do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, a criação da frente parlamentar constitui um passo importante para fortalecer no Brasil a mobilização política e social a favor da paz.

Na avaliação da representante do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania de Luciana Peres, a promoção dos direitos humanos deve estar no centro dos esforços de prevenção da violência e reconstrução da sociedade.

Segundo a representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Andrea Bolzon, é necessário incluir mais atores na agenda do desenvolvimento humano proposta pela ONU.

A jurista Soraia Mendes, por sua vez, ressaltou que os direitos humanos existem quando existem também condições de vida dignas para toda a população.

— Com uma ação hoje, podemos construir um novo futuro — declarou ela.

Paim: Vitória do Partido Democrata nas eleições dos EUA representa um sinal de esperança para quem acredita no diálogo e no respeito à vida - Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Paim: Vitória do Partido Democrata nas eleições dos EUA representa um sinal de esperança para quem acredita no diálogo e no respeito à vida - Foto: Carlos Moura/Agência Senado
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