
Quatro projetos da rede pública estadual de ensino estão presentes na edição 2026 da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) 2026, que acontece entre os dias 17 e 20 de março, na Universidade de São Paulo (USP). Esta é a 24ª edição da maior mostra pré-universitária de projetos científicos e tecnológicos do Brasil. Ao todo, foram 297 projetos inscritos neste ano, compreendendo as áreas de Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas, Ciências da Saúde, Ciências Sociais Aplicadas e Engenharia.
Os projetos da rede selecionados para a feira foram: o Centro de Excelência 28 de Janeiro (Monte Alegre) com o projeto ‘CAPTA – Cuidado Atento para Transformar o Autismo’; o Centro de Excelência Atheneu Sergipense (Aracaju - DEA) com o desenvolvimento de esponjas biodegradáveis a partir da fibra de coco; o Colégio Estadual João Salônio (Nossa Senhora Aparecida - DRE 3), com o projeto ‘Facheiro: a Revolução do Couro Vegetal Sustentável em Aparecida-SE’; e o Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto (Canindé de São Francisco - DRE 9) com o projeto ‘PALMLAC’, que valoriza a produção de biomassas para bebidas lácteas no combate à subnutrição no semiárido sergipano.
Avaliados por especialistas, serão distribuídos 300 prêmios para os melhores projetos, com troféus, medalhas, bolsas e estágios. Além disso, os nove melhores irão representar o país na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, entre os dias 9 e 15 de maio, na cidade de Phoenix, Arizona (Estados Unidos).
Projeto ‘CAPTA’
Da cidade de Monte Alegre de Sergipe (Diretoria Regional de Educação - DRE 9), o Centro de Excelência 28 de Janeiro levou para a Febrace o ‘CAPTA – Cuidado Atento para Transformar o Autismo: Investigação de Fatores de Risco e Desenvolvimento de Materiais Educativos para o Diagnóstico Precoce’. O projeto foi orientado pela professora de química Lark Soany Santos, com coorientação do professor Edson de Jesus Oliveira, sendo desenvolvido pelas alunas Taislaine Alves de Gois, Ana Karla Gois da Silva e Luana de Oliveira Santos, do 3° ano do Ensino Médio.
A professora orientadora Lark Soany destaca que o projeto tem por objetivo facilitar a identificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças da comunidade, por meio de um kit educativo acessível que auxilia na percepção dos sinais e do diagnóstico, orientando educadores e profissionais da saúde no acompanhamento infantil. O ‘CAPTA’ já foi validado com reconhecimento científico e aplicado na própria cidade, integrando o Plano Municipal de Saúde de Monte Alegre. A iniciativa também foi testada em outros dois municípios, sendo eles Nossa Senhora da Glória e Piranhas, de Alagoas.
“O projeto também marca a primeira participação da escola na Febrace e representa a Feira de Conhecimento e Arte - Feconart, evidenciando o protagonismo estudantil e a força da educação pública na produção de soluções transformadoras”, comenta a orientadora Lark Soany.
Esponjas biodegradáveis
De Aracaju, o Centro de Excelência Atheneu Sergipense (Diretoria de Educação de Aracaju) fez um projeto que une a sustentabilidade com as necessidades domésticas. A partir dos restos de cascas de coco despejados nas feiras livres da cidade, os alunos Lucas Thierrys, Melissa Sá e Júlia Fraga, do Ensino Médio (os dois primeiros já egressos e a última no 3° ano), criaram uma esponja biodegradável, reaproveitando o material. A orientação foi realizada pela professora Cristiane Moreira, com a coorientação do professor Everton Santos. Esta é a segunda vez que o projeto faz parte da Febrace.
A ideia, segundo a orientadora Cristiane Moreira, é criar um produto de qualidade que substitua a tradicional esponja ‘amarelinha’, utilizada nas atividades domésticas e que solta resíduos de microplásticos capazes de contaminar rios e demais ambientes. O produto foi desenvolvido pelos alunos e testado pelas merendeiras da escola, que avaliavam a qualidade da esponja e indicavam sugestões de alteração. A ideia é que esta esponja seja outra alternativa à esponja vegetal, que tem material menos resistente.
“Com esses projetos, a gente acaba ajudando outros, dando as ideias e as experiências que já passamos. Eu amo essa atmosfera de ver essa ‘meninada’ aqui, crescendo intelectualmente e evoluindo. Então, eu fico muito feliz em poder levar o nome do ‘Atheneu’, escola que eu amo, para o Brasil. Para mim, poder levar um resultado positivo, representar da melhor forma a escola e o nosso Estado na Febrace é uma honra”, conta, com alegria, a orientadora Cristiane Moreira.
Projeto ‘Facheiro’
Outra iniciativa da Rede Pública Estadual de Educação presente na Febrace vem da cidade de Nossa Senhora Aparecida (DRE 3). O Colégio Estadual João Salônio fez o projeto ‘Facheiro: a Revolução do Couro Vegetal Sustentável em Aparecida-SE’, orientado pelo professor de química Ivanildo dos Santos e pelas alunas Maisa Góis, Ana Maria Santana e Emmily Santana Farias, do 2° ano do Ensino Médio.
O projeto, de acordo com o professor orientador, produz um biocouro sustentável à base do facheiro, cacto típico da região, e da mandioca (popularmente conhecida como macaxeira em Sergipe), importante no sustento de famílias com a produção da farinha. A ideia é unir os dois materiais para a produção do material sustentável.
“Esta participação na Febrace funciona como um ‘farol’ para o colégio. O projeto que, hoje, atravessa o Brasil, servirá de inspiração para as próximas turmas, criando uma cultura científica sólida dentro do Colégio Estadual João Salônio. Em 2026, estamos mostrando que o estudante sergipano tem voz, tem técnica e tem futuro”, enfatiza o orientador, Ivanildo dos Santos.
Projeto ‘PALMLAC’
O projeto ‘PALMLAC: Valorização de Biomassas Regionais na Formulação de Bebidas Lácteas Funcionais Sustentáveis para o Combate à Subnutrição no Semiárido Sergipano’, vem do Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto, de Canindé de São Francisco (DRE 9), também orientado pela professora de química Lark Santos. As alunas Laura Fernanda Bras de Lima e Maria Luiza Gomes dos Santos, do 3° ano do Ensino Médio, foram as responsáveis pelo projeto, com a coorientação da professora Marisa Gomes Nobre.
O projeto tem por base a elaboração de uma bebida láctea à base de soro de leite, enriquecida com palma forrageira, recurso encontrado em abundância no semiárido nordestino. Para a professora Lark Santos, o projeto serve de “alternativa nutritiva, acessível e de baixo custo, com potencial de impacto direto na segurança alimentar de comunidades vulneráveis”, e destaca o protagonismo das alunas em desenvolvê-lo. Apesar de o projeto ser selecionado para participar da feira, as estudantes da escola não estão presentes.







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