
O Governo do Estado entregou nesta quarta-feira, 18, as primeiras 156 cartas de subvenção do programa Casa Sergipana, da modalidade Entrada Fácil, com apoios que variam entre R$ 15 mil a R$ 20 mil para abater na entrada de imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida. O programa, realizado por meio da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), faz parte da política estadual de habitação de Sergipe.
A solenidade reuniu famílias que, agora, poderão negociar com construtoras e fechar contratos. A cerimônia desta quarta-feira representou a ampliação do acesso à moradia digna para famílias como as de Felipe, Layara e Guilherme, perfis contemplados em editais recentes. É a chance de trocar aluguel por prestação financiada e colocar o nome na escritura até 2028.
Adirlene Borges é bancária, nasceu em Cuiabá (MT), mas, há oito anos mora em Aracaju. Solteira, ela vive sozinha e é Pessoa com Deficiência (PcD) — tem monoparesia no membro superior direito em decorrência de um câncer tratado há 22 anos. Ela conheceu o edital do Casa Sergipana nas redes sociais, conferiu as exigências, enviou documentos e, agora, está concretizando o sonho. Até então, ela morava de aluguel e todas as despesas recaem sobre um único salário, situação agravada pelos custos extras com saúde. Além da casa, o projeto prevê adaptações, como uma vaga de estacionamento próxima, rotas acessíveis e portas mais largas, detalhes que contemplam suas limitações de mobilidade.
“Ter um lugar para chamar de meu é uma alegria imensa. A política pública acertou ao incluir recortes de deficiência e renda, permitindo que PcDs com gastos médicos elevados acessem o financiamento sem sufocar o orçamento. Agora, já posso fazer planos. Quero instalar um apoio de parede no banheiro, primeiro item da lista de adaptações que cabem no planejamento e no bolso”, conta.
A auxiliar de logística Layara Lima Torres, de 37 anos, assinou contrato de compra de uma casa de dois quartos num condomínio do bairro Santa Maria, zona sul de Aracaju. Este é o primeiro endereço em seu nome. Há alguns meses, ela passou a morar com os pais, depois de deixar um aluguel que não cabia mais no seu orçamento. Como mãe solo de um menino de 12 anos, Layara calcula cada gasto. “Com o subsídio consigo pagar o imóvel, alimentação e saúde do meu filho. É uma luta, mas dá. Sem o subsídio que não seria possível”, revelou a mulher, que escolheu o bairro Santa Maria pela proximidade de seu trabalho.
Do cadastro à contemplação, Layara contou que o processo durou entre dois a três meses. “Foi rápido. Levei os documentos, a Assistência Social checou os critérios e a construtora fez contato. Quando veio o sim, as pernas tremeram. A gente sonha, mas acha que é para longo prazo”, completou a beneficiada, que, agora, já organiza a mudança.
Já o assistente administrativo Felipe Lima, de 24 anos, foi o primeiro beneficiado selecionado para receber a carta para a compra de moradia subsidiada. “Sinto-me extremamente feliz e grato a Deus. Com 24 anos me considero privilegiado. Os documentos foram enviados pelo portal, o acompanhamento foi on-line e a análise da equipe responsável foi positiva. Hoje, eu e minha esposa dividimos um aluguel no bairro José Conrado de Araújo, trabalhamos próximo um ao outro e este foi o fator que pesou na escolha do novo endereço que fica no bairro Soledade. Ainda não temos filhos, mas, agora, podemos planejar. A aquisição desta casa supera uma barreira financeira porque cabe no orçamento”, revelou o rapaz, antecipando que a mudança está prevista para o fim de 2027.
O benefício também permitiu que Guilherme Neves Oliveira, de 30 anos, deixasse de pagar aluguel para investir em algo próprio. O designer gráfico mora no conjunto Rosa Elze, em São Cristóvão, e relembrou que abriu o site do programa habitacional sem expectativa e, por isso, ficou muito surpreso quando viu a aprovação de seu nome. “Para quem entrou no programa sem grandes expectativas, a surpresa virou projeto concreto: um endereço na Aruana e um financiamento que cabe no contracheque”, frisou.
Solteiro, ele relatou que paga aluguel próximo à universidade e permaneceu no bairro mesmo depois de formado pela comodidade. Agora, com a carta de contemplação, ele mudou de planos e escolheu morar na Aruana, onde já viveu antes, e que privilegia a área por ficar perto do mar. “Este é o meu primeiro bem. O subsídio cobriu parte da entrada e reduziu as parcelas do financiamento. Vou pagar praticamente o valor do aluguel que estava pagando no Rosa Elze”. Ainda sem data definida de mudança, Guilherme organiza a transição enquanto a corretora atualiza o seu cadastro.









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