
A fé, a tradição e o sentimento de pertencimento marcam afestividade em homenagem ao Glorioso São José, padroeiro dos feirantes e açougueiros do Complexo doGuamá, em Belém, nesta quinta-feira (19). A celebração já ocorrehá 56 anose reúne trabalhadores, moradores e visitantes em uma programação que integra momentos religiosos, culturais e de confraternização ao longo do dia.
Desde as primeiras horas da manhã, o movimento foi intenso no complexo. A programação iniciou às 6h, comalvorada musical e queima de fogos, reunindo a comunidade em um clima de devoção. Em seguida, umamissa campalfoi celebrada em frente ao mercado, reforçando a fé dos participantes.
Um dos momentos mais marcantes deste ano foi a presença daimagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, que percorreu o espaço em uma cerimônia de bênçãos aos trabalhadores e fiéis. Após a celebração religiosa, a tradicionalpartilha de alimentoscom mingau, bolo e refeições fortaleceu o espírito comunitário da festividade. A programação também conta comapresentações culturais de grupos locais.

Para quem vive o dia a dia do mercado, a celebração vai além de um evento religioso. É um momento de união, renovação da fé efortalecimento dos laços comunitários.

A feirante Rita de Jesus Oliveira, que trabalha há 29 anos no mercado de farinha do Guamá, destaca o significado da festividade para a comunidade. Segundo ela, São José representa não apenas os trabalhadores, mas todos os fiéis, sendo umexemplo de homem e de pai.

“A gente procura sempre renovar a fé e seunir como comunidade. A festa não é só a missa, tem também programação cultural e envolve todo o bairro. É muito gratificante ver todo mundo reunido”, afirmou.
A edição deste ano também tem um significado especial por ocorrer noespaço revitalizado do complexo, com mais conforto e acolhimento para os participantes.
A coordenadora da festividade, Dulcinéia de Oliveira Maciel, açougueira há 50 anos no local, frisa a importância desse novo momento. Para ela, celebrar em um ambiente renovado e receber a imagem peregrina torna a festividade ainda mais simbólica.

“Hoje temos um espaço digno, que não tínhamos antes. Isso é motivo de muita alegria. E receber a imagem peregrina éuma honra. É um momento muito especial para todos nós, porque nem sempre conseguimos estar tão próximos durante o Círio”, destacou.
A tradição é mantida com dedicação por trabalhadores que encontram na fé a força para enfrentar osdesafios do dia a dia. O diretor da festividade, Raimundo Oliveira, conhecido como Dinho, reforça que a celebração representaresistência, devoção e gratidão.

“Ser feirante ou açougueiro é uma luta diária. E em São José a gente encontra conforto. Essafesta cresce a cada anopela fé, pela alegria e pela gratidão. É um momento muito esperado por todos nós”, afirmou.
Histórias como a do açougueiro Paulírio Geraldo Ferreira de Araújo mostram como atradição atravessa gerações. Há 60 anos no mercado, ele mantém viva a festividade por umpedido do pai, um dos fundadoresda celebração.

“Meu pai me pediu para nunca deixar essa festa acabar. Ele dizia que São José sempre ajudou muito a gente aqui. E eu sigo esse compromisso até hoje. Ver essa tradição continuar não tem preço. É umariqueza que a gente carrega”, conta.
A origem da festividade remonta ao fim da década de 1960, quando trabalhadores do mercado do Guamá foram chamados para participar da festividade de São Brás, no mercado de São Brás e decidiram criar a própria homenagem. Em1970, no dia 19 de março, umaprocissão percorreu as ruas do Guamáe consolidou São José como padroeiro do complexo.
Ao longo das décadas, a celebração se fortaleceu e se tornou um dos principais momentos de fé e integração da comunidade. Atualmente, a organização mobiliza cerca de100 pessoas, entre feirantes, voluntários e representantes de igrejas do bairro. Hoje, a organização estima a participação de cerca de 300 pessoas no evento.
Mais do que uma festa, a celebração de São José no Guamá representa aidentidadede uma comunidade que mantém viva a fé, a cultura e a tradição.
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