
O Projeto 'Alma Africana', desenvolvido no Centro de Excelência Nelson Mandela, em Aracaju, foi reconhecido nacionalmente com o Selo ODS Educação 2026, consolidando-se como uma das principais iniciativas educacionais voltadas à promoção da equidade no país. A entrega do prêmio ocorreu na última quarta-feira, 18, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife. Ao todo, 129 selos foram concedidos no Brasil neste ano, reunindo experiências exitosas de diferentes regiões.
A unidade sergipana recebeu a certificação pela segunda vez, reforçando a continuidade e a consistência de suas ações pedagógicas. Além disso, a escola se destaca como a única instituição pública de Sergipe e de todo o Nordeste contemplada nesta edição, o que evidencia o protagonismo regional no cenário educacional.
O Selo ODS Educação reconhece práticas pedagógicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visam à construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável até 2030. Nesse contexto, o projeto se destaca por desenvolver ações concretas de enfrentamento ao racismo, ao machismo e à LGBTfobia, temas essenciais no ambiente escolar contemporâneo. Além disso, promove a valorização da diversidade e incentiva a construção de uma cultura de paz, pautada no respeito às diferenças e na equidade social. Essas iniciativas contribuem não apenas para a formação acadêmica dos estudantes, mas também para o desenvolvimento de cidadãos mais conscientes, críticos e comprometidos com a transformação social e humanitária.
Segundo o coordenador do projeto, professor Evanílson França, o reconhecimento é fruto de um trabalho coletivo construído ao longo dos anos, envolvendo toda a comunidade escolar. Ele destaca que o momento da conquista foi marcado por emoção e sentimento de pertencimento entre os participantes. “Após a notícia, reunimos as professoras e os estudantes envolvidos. Foi um momento de celebração marcado por afeto, gratidão e sentimento de dever cumprido”, afirmou.
O Projeto Alma Africana integra a proposta pedagógica da escola e está alinhado à Agenda 2030 da ONU, fortalecendo o compromisso com uma educação pública de qualidade, inclusiva e socialmente referenciada. A iniciativa busca valorizar a identidade afro-brasileira e promover reflexões críticas sobre desigualdades históricas presentes na sociedade. Ao trabalhar essas temáticas de forma interdisciplinar, o projeto amplia o repertório cultural dos estudantes e contribui para a formação de uma consciência social mais ampla. Dessa forma, a escola se consolida como um espaço de construção de conhecimento e de transformação social.
Entre as ações desenvolvidas está a produção de antologias poéticas com textos autorais dos estudantes, que incentivam a expressão artística e o protagonismo juvenil. Também são realizadas vivências em comunidades quilombolas, proporcionando contato direto com a cultura e a história afro-brasileira, além de pesquisas de campo sobre o racismo em Aracaju, as quais estimulam o olhar crítico sobre a realidade local. O projeto ainda promove atividades culturais, como apresentações teatrais, gincanas temáticas e seminários de cidadania, ampliando as possibilidades de aprendizagem. Essas experiências contribuem para tornar o processo educativo mais dinâmico, participativo e conectado com as vivências dos alunos.
A iniciativa investe na formação continuada da comunidade escolar, promovendo debates e atividades voltadas à diversidade étnico-racial. Essas formações envolvem estudantes, professores e demais membros da escola, fortalecendo o diálogo e a construção coletiva de conhecimento. A coordenação do projeto é composta pelo professor Evanílson França e pelas professoras Gilmara de Souza Neto, Adalcy Costa dos Santos, Sheila Rodrigues dos Santos Vega, Talita dos Santos e Mariza Santos Cajé, que atuam de forma colaborativa na organização e execução das ações. Esse trabalho conjunto garante a continuidade e o aprimoramento das atividades ao longo do tempo.
Para este ano está prevista a ampliação das ações com a criação do ‘Mina Batalha de Rima’, iniciativa voltada ao protagonismo feminino na produção poética e na cultura urbana. A proposta busca incentivar a participação de meninas e jovens mulheres em espaços de expressão artística, promovendo empoderamento e visibilidade. Além de estimular a criatividade, a atividade também fortalece o debate sobre igualdade de gênero dentro e fora do ambiente escolar. Com isso, o projeto amplia seu alcance e reforça seu compromisso com a inclusão e a diversidade.
Essa nova conquista do Selo ODS Educação reforça o papel do Centro de Excelência Nelson Mandela como referência na educação pública em Sergipe, destacando-se pela inovação pedagógica e pelo compromisso social. O reconhecimento nacional evidencia o impacto positivo das ações desenvolvidas e inspira outras instituições a adotarem práticas semelhantes. Mais do que um prêmio, o selo representa o resultado de um trabalho contínuo, pautado no respeito, na diversidade e na busca por uma sociedade mais justa. Dessa forma, o projeto se consolida como um exemplo de como a educação pode ser um instrumento fundamental de transformação social.
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