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Balança comercial de Sergipe no início de 2026 aponta desafios e oportunidades

Análise da Balança Comercial, pela Desenvolve-SE, destaca ativos estratégicos para o estado e diversificação do abastecimento, mas aponta queda nas...

20/03/2026 às 10h52
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Balança comercial de Sergipe no início de 2026 aponta desafios e oportunidades//Fotos: Divulgação
Balança comercial de Sergipe no início de 2026 aponta desafios e oportunidades//Fotos: Divulgação

O primeiro bimestre de 2026 trouxe mudanças relevantes para o comércio exterior sergipano. Com o início das importações de Gás Natural em estado gasoso (GNG), oriundo da Bolívia e da Argentina, e a ausência de importações de ureia no período, o estado avança na diversificação do abastecimento e possíveis ajustes na cadeia de fertilizantes. No mesmo intervalo, a balança comercial registrou déficit de US$ 20,9 milhões, com exportações de US$ 44,1 milhões e importações de US$ 65,0 milhões.

Os dados fazem parte da primeira edição da análise do comércio exterior elaborada pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), com base em informações do ComexStat/MDIC. A edição 01/2026 analisa o desempenho das exportações e importações no primeiro bimestre do ano (janeiro e fevereiro), em comparação ao mesmo período de 2025 e à série histórica. Além disso, traz indicadores gerais da balança comercial e uma análise detalhada de três segmentos estratégicos: gás natural, petróleo bruto e fertilizantes.

Em janeiro e fevereiro deste ano, houve retração de 38,4% nas exportações (US$ 44,1 milhões) e de 28,5% nas importações (US$ 65,0 milhões). Ainda assim, o saldo negativo aumentou em US$ 1,6 milhão, evidenciando a continuidade da dependência do estado em relação à importação de insumos estratégicos, assim como em todo o País. Neste bimestre, Sergipe ficou como o segundo importador de fertilizantes do Nordeste.

O presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, explica que as análises feitas pela agência são importantes para construir estratégias de enfrentamento. “Os dados do primeiro bimestre mostram que Sergipe mantém uma base produtiva relevante. Nosso papel, enquanto agência de desenvolvimento, é justamente transformar esse diagnóstico em estratégia, estimulando a diversificação de mercados, o fortalecimento das cadeias produtivas locais e a atração de investimentos que reduzam essa dependência ao longo do tempo”, destaca.

Exportações concentradas

A pauta exportadora sergipana manteve forte concentração em dois grandes segmentos. A cadeia energética, composta principalmente por petróleo bruto e partes de turbinas a gás, respondeu por cerca de 52% do total exportado. Já a cadeia citrícola e agroindustrial representou aproximadamente 43%, com destaque para o suco de laranja congelado.

Um dos principais pontos de atenção é a queda expressiva nas exportações de petróleo bruto, que recuaram 65,4% em relação ao primeiro bimestre de 2025. Além disso, os Estados Unidos foram o único destino desse produto no período, o que amplia a exposição do estado a variações na demanda e na política energética estadunidense.

Outro fator que pode impactar negativamente esse fluxo nos próximos meses é a Medida Provisória nº 1.340/2026, que institui uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, aumentando o custo das vendas externas e podendo redirecionar parte da produção para o mercado interno.

Importações

Do lado das importações, três grupos concentram a maior parte dos gastos do estado: insumos energéticos (39,7%), insumos agrícolas (20,6%) e equipamentos industriais (12%).

O gás natural liquefeito (GNL) segue como principal item importado (39,7%), refletindo a importância da infraestrutura energética local. Sergipe abriga o Terminal de Regaseificação (TRSE) e a Usina Termelétrica Porto de Sergipe I, a maior da América Latina, o que consolida o estado como um polo estratégico de segurança energética no Nordeste.

No setor agrícola, destacam-se as importações de trigo e do fertilizante MAP, essencial para a produção agrícola. Já os equipamentos industriais indicam investimentos na modernização e ampliação da capacidade produtiva, especialmente em mineração e indústria alimentícia.

Movimentos inéditos

O primeiro bimestre de 2026 também registrou dois fatos inéditos na série histórica. O primeiro foi a importação de gás natural em estado gasoso (GNG), com origem principalmente na Bolívia (96,6%) e na Argentina (3,4%), indicando diversificação na matriz de abastecimento energético.

O segundo foi a ausência total de importações de ureia no 1º bimestre de 2026, possivelmente relacionada à retomada das operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras. Esse movimento pode sinalizar uma mudança estrutural na forma como o estado abastece sua cadeia de fertilizantes.

Riscos identificados

A análise da Desenvolve-SE aponta riscos relevantes associados ao cenário internacional. A dependência total da Rússia como fornecedora de fertilizante MAP, responsável por 100% das importações do produto no período, representa uma vulnerabilidade significativa, especialmente diante de possíveis sanções econômicas.

Além disso, as tensões entre Estados Unidos e Irã podem impactar diretamente três pilares da pauta sergipana: gás natural, petróleo e fertilizantes. Esses conflitos influenciam preços globais, rotas comerciais e custos de produção, afetando tanto exportações quanto importações. Outro ponto de atenção é a concentração geográfica das exportações de petróleo, que ficaram restritas aos Estados Unidos, aumentando a exposição a fatores externos.

Desafios para diversificação

Apesar dos desafios, Sergipe possui ativos estratégicos importantes. O estado abriga o Complexo Taquari-Vassouras, única mina de potássio em operação no Brasil, sendo responsável pela produção do “K” na fórmula de fertilizantes NPK. No entanto, ainda depende de importações para os componentes “N” (nitrogênio) e “P” (fósforo), o que reforça a necessidade de diversificação e fortalecimento da produção interna.

O cenário observado no início de 2026 reforça o perfil da economia sergipana: exportadora de commodities energéticas e agroindustriais e importadora de insumos essenciais. Para aumentar a resiliência da balança comercial, a análise aponta três caminhos estratégicos: diversificação dos destinos de exportação, ampliação das origens de importação,  especialmente de fertilizantes, e melhor aproveitamento da infraestrutura energética instalada no estado.

Leia a Análise do Comércio Exterior 01/2026 - Balança Comercial de Sergipe (1º Bimestre de 2026) na página .

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