
Foto: Divulgação - Arquivo ZMP
Faleceu aos 79 anos de idade, após cumprir com extrema dedicação e competência sua missão de educadora e formadora de uma geração de talentosos feirenses, através da música e da arte. Brasil de Amanhã, nas manhãs de domingo, no auditório da extinta Rádio Cultura, revelou valores como o radialista Itajay Pedra Branca.
Há muitas maneiras de se contribuir para o desenvolvimento de uma comunidade, o que deve ser feito, principalmente, através do crescimento intelectual da população, uma tarefa reconhecidamente difícil e que poucos se arriscam a executar. Alcina Dantas, na verdade, professora Alcina Gomes Dantas, dedicou grande parte de sua vida a essa missão em sala de aula, em sua residência e onde mais se notabilizou, no auditório da extinta Rádio Cultura de Feira de Santana, na Rua Professor Geminiano Costa (prédio ainda existente).
Natural de Itaberaba, filha de Roberto Lídio Dantas e Eustachia Gomes Dantas, Alcina Dantas veio para Feira com as irmãs Alice e Ester Catarina Dantas, professora do curso primário e de música, duas tias e uma sobrinha. A família se instalou em uma casa na Avenida Senhor dos Passos, esquina com a Rua Intendente Freire, hoje transformada em um ponto comercial. Ester, conhecida como Zinha Dantas, e Alcina ministravam aulas de piano, bandolim, violino, violão e canto, além de executarem com perícia esculturas e restaurações de imagens sacras. Também eram perfeitas bordadeiras. Popularizaram-se pela competência e seriedade, atraindo para a residência familiar grande número de jovens que aspiravam a conhecimentos artísticos e literários.
De espírito fraterno, as duas irmãs brindavam os alunos e familiares que os acompanhavam durante as aulas ou fora delas, em habituais visitas, com bolos, mingaus, saladas de frutas, doces, bolachinhas de goma, sucos e café. Esse clima extremamente respeitoso e familiar resultou no convite do comerciante Oscar Marques, diretor da Rádio Cultura, para que ele fosse celebrado de forma ampla no belo auditório da Rádio Cultura, que, além de moderno, com cerca de 100 assentos, contava com paredes revestidas de material acústico, piano profissional e outros recursos.
Nos anos finais da década de 1950, o advento do programa dominical Brasil de Amanhã, a partir das 8 horas, mobilizava a juventude da Cidade Princesa em uma só direção: a Rua Professor Geminiano Costa, ao lado do Feira Tênis Clube. Durante a programação dos domingos, meninas e meninos cantavam, declamavam e participavam de concursos e brincadeiras de caráter instrutivo. Valores como o saudoso narrador esportivo Itajay Pedra Branca surgiram no Brasil de Amanhã, por onde também passaram o jornalista Oydema Ferreira, a pedagoga e escritora Leny Madalena, dentre outras pessoas de destaque.
A atuante professora Alcina Dantas, que foi muito importante para a cidade, comemorava seu aniversário no dia 30 de setembro, quando oferecia um caruru de mil quiabos, em homenagem a São Cosme e São Damião. O Brasil de Amanhã, sempre aos domingos, a partir das 8 horas, em ocasiões especiais, como no Natal, revestia-se de ainda maior importância, sendo realizado à noite, com uma série de atividades, como peças teatrais, poesias, danças, balé e apresentações musicais. O grande auditório da Rádio Cultura tornava-se insuficiente para o enorme público.
Com rara dedicação e competência, a professora Alcina Dantas foi condutora de uma grande parcela de jovens de Feira de Santana durante bem mais de uma década. Criativa, ela levou o Brasil de Amanhã a sair do auditório para as ruas, com um carro alegórico na Micareta. Exímia pianista, Alcina Dantas sonorizava filmes mudos exibidos no extinto Cine Santana e excursionava pelo interior baiano. Era também escritora, com muitos trabalhos publicados, inclusive no jornal local Folha do Norte. Nascida em 30 de setembro de 1895, em Itaberaba, Alcina Gomes Dantas faleceu no dia 22 de junho de 1974, em Feira de Santana.
Por Zadir Marques Porto
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