
A realização de uma das maiores procissões do Círio de Nazaré mobilizou não apenas milhares de fiéis, mas também uma estrutura dedicada à coleta seletiva e à destinação de materiais recicláveis. Durante a Trasladação, neste sábado (10),o EcoCírio reuniu 200 catadores que atuam ao longo do percurso, em uma operação que associa gestão de resíduos, inclusão produtiva e geração de renda.
A iniciativa, coordenada pela Secretaria Executiva de Inclusão Produtiva (SEINP), envolveu14 cooperativas e redes de reciclagem, além de catadores autônomos atendidos pelo programa Conexão Cidadã.A proposta ampliou o recolhimento de materiais com potencial de reaproveitamento durante as procissões e fortaleceu a participação dos trabalhadores da reciclagem na gestão dos resíduos gerados em um dos períodos de maior circulação de pessoas na capital paraense.
Dos 200 catadores envolvidos na operação, 190 são vinculados a cooperativas e redes de reciclagem, enquanto dez atuam de forma autônoma.O trabalho é distribuído conforme o fluxo de pessoas e as características dos percursos, permitindo que os materiais descartados sejam recolhidos e encaminhados para reaproveitamento.
A estrutura de apoio inclui51 funcionários da Secretaria Executiva de Inclusão Produtiva (Seinp), 24 educadores ambientais e 20 voluntários da Pastoral da Basílica.A atuação conjunta dá suporte aos catadores, organiza a coleta e amplia a destinação adequada dos resíduos recicláveis.
A operação também conta com equipamentos e materiais que facilitam o recolhimento e o transporte dos recicláveis. Ao todo,são utilizados 300 big bags – bolsas de grande capacidade destinadas ao armazenamento dos materiais -, com volume de até mil litros cada.Os catadores também recebem luvas, botas, camisas e vassourões para a execução das atividades.


Pontos estratégicos concentram atuação dos catadores
Na Trasladação,um dos principais pontos de atuação fica no cruzamento da travessa 14 de Março com a avenida Magalhães Barata.As equipes também estão distribuídas em outros trechos da área central do trajeto, acompanhando a circulação dos participantes. Além disso, a SEINP possui um Ecoponto, na praça da República, para a população descartar resíduos recicláveis por ecocopos e/ou sorvete.
No domingo do Círio, a coleta seletiva se concentra em corredores de grande movimentação, incluindo o Boulevard Castilhos França, a avenida Presidente Vargas e a avenida Nazaré.A distribuição dos trabalhadores e dos equipamentos considera o fluxo de pessoas e a necessidade de recolher os materiais ao longo dos percursos.
O EcoCírio integra a estrutura de limpeza organizada para as duas procissões, em articulação com as equipes municipais responsáveis pela varrição, coleta e remoção dos resíduos. Enquanto os serviços de limpeza urbana atuam na manutenção das vias, os catadores contribuem para separar e recuperar materiais que podem retornar à cadeia produtiva.
A participação dos catadores é um dos eixos centrais da iniciativa. Além de contribuir para a recuperação de materiais recicláveis, o trabalho gera renda para profissionais que desempenham uma função importante na cadeia de gestão de resíduos.
A atuação durante o Círio também amplia a visibilidade das cooperativas, redes e trabalhadores autônomos que realizam a coleta seletiva. O material recolhido representa uma fonte de renda e evidencia a contribuição desses profissionais para o reaproveitamento de recursos que, sem a separação adequada, podem ser destinados junto aos resíduos comuns.
Para quem trabalha com reciclagem, a participação no EcoCírio representauma oportunidade de ampliar a coleta e a renda durante um período de grande movimentação em Belém.Além dos números da operação, o trabalho também revela a rotina de quem passa horas nas ruas acompanhando o fluxo dos romeiros.
Cleidiane Braz da Amaral, de 47 anos, afirmou que, ao longo dos três anos em que atua como coletora, conseguiu ampliar sua renda e destacou a emoção de contribuir para a limpeza da cidade durante o Círio de Nazaré.
“Eu gosto muito de trabalhar no Círio porque eu sinto muita emoção, e outra coisa é que ajuda muito na minha renda, não é?”

A presença dos catadores também aproxima a coleta seletiva da rotina das procissões. Entre um ponto e outro do percurso, os trabalhadores acompanham de perto o movimento dos romeiros e ajudam a retirar das ruas materiais que ainda podem ser reaproveitados. A catadora Katiana Moraes fala da importância da contribuição dos romeiros…
“A importância dos coletores na cidade é para que as pessoas tivessem mais consciência de colocar o seu resíduo dentro. Porque para a gente é muito difícil juntar e varrer no chão, porque fica na lama suja. Então, tem que olhar o nosso lado também”

Katiana, que trabalha há 10 anos na cooperativa, também destaca a eficiência das equipes coletoras:
O trabalho dos catadores acontece justamente onde a experiência dos romeiros se encontra com a necessidade de manter os percursos limpos. Para quem acompanha a procissão, o descarte correto dos resíduos também faz parte desse cuidado com as ruas e com quem trabalha nelas.
Os romeiros Renan Azevedo e Isabele Azevedo reforçaram a importância do descarte consciente:
“Sobre a questão da coleta de lixo, eu acho muito importante porque quando a gente fala de períodos festivos, como o Círio, sabemos que tem muita gente que vem e curte de maneira consciente, mas também que muito lixo é produzido. Eter essa participação das empresas que fazem esse trabalho, é de suma importância para manter o equilíbrio, para manter a cidade limpa, para manter essa festa consciente!“, destacou Renan.
A realização do EcoCírioconta com uma rede de instituições e empresas que contribuem para viabilizar a operação. A Guamá Tratamento de Resíduos participa do custeio das diárias dos catadores, enquanto o Instituto Rever apoia a aquisição de equipamentos de proteção individual, camisas e outros materiais de trabalho.
As empresas Veloz e Ecodm Pará contribuem com a doação de big bags e equipamentos de proteção individual. Já o Sebrae e a GIZ participam com o fornecimento de água e lanches para os trabalhadores.
A Arquidiocese de Belém, por meio da Pastoral da Basílica, também integra a iniciativa, com apoio institucional e participação de voluntários.A articulação entre os parceiros reúne recursos, equipamentos e suporte para atender às necessidades da coleta seletiva durante as duas procissões.
A logística de limpeza envolve veículos das cooperativas e das equipes municipais. A estrutura conta com cinco caminhões compactadores, três caminhões-gaiola, um caminhão Munck e três caminhões-caçamba, além de veículos da Seinp, da Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) e carros de apoio.
A estimativa operacional é de aproximadamente500 toneladas de resíduos durante a Trasladação e outras 700 toneladas no domingo do Círio.Os volumes correspondem à previsão para o conjunto dos serviços de limpeza.
Texto: Bruna Letícia e Luciana Caxias, estagiárias de Jornalismo, sob orientação de Juliana Maia (Ascom/Sezel).
Mín. 21° Máx. 32°